Em carta ao Estadão, J. S. Vogel Decol, de São Paulo, comenta o artigo "O Ocidente está dobrando à direita" (13/7, A4), do cientista político Sergio Fausto, que aborda o movimento pendular da direita no lado esquerdo do mapa-múndi, com a ascensão de governos direitistas e populistas em muitos países, tendo à frente os EUA de Donald Trump. Vogel cita perigos atribuídos por sociólogos e cientistas políticos à ascensão da direita, sobretudo da extrema direita: ataques às instituições, ameaças às liberdades, desinformação e agravamento das desigualdades. O artigo finaliza: "Nesse contexto, é crucial derrotar o clã Bolsonaro, a versão tupiniquim dessa onda extremista que avança no Ocidente".
Fórmula equivocada e pacto republicano
Sergio Kupferman, de São Paulo, rebate: "Sergio Fausto fez o diagnóstico mas não citou a causa: incompetência e destruição de valor que as esquerdas do mundo demonstraram com suas fórmulas comprovadamente equivocadas. Triste é a falta de um centro responsável e interessado em melhorar o mundo." Luciano Harary, também de São Paulo, comenta a proposta do ex-presidente Michel Temer (entrevista a Roseann Kennedy, Estadão, 10/7, A9) de um pacto republicano nos primeiros dez dias do próximo governo. Harary lembra que Lula se lançou candidato em 2022 com Geraldo Alckmin em nome de um "governo de união nacional" para derrotar Jair Bolsonaro, mas a união não se concretizou. "Imaginar Lula e Flávio Bolsonaro sentados à mesma mesa para participar juntos de um pacto republicano é inimaginável", afirma.
Saúde moral e bem comum
Maria Celina Christiani, de São Paulo, elogia o artigo de Thiago Rafael Vieira (Entre a justiça e a revanche: o mal moral da polarização, 11/7, A4) como "maravilhoso e reflexão necessária nestes tempos difíceis". Izabel Avallone, de São Paulo, responde ao artigo de Dom Odilo P. Scherer (Que futuro vamos construir?, 11/7, A5): "O bem comum não nasce dos discursos de campanha. Ele começa na família, na escola, na ética, no respeito às leis e na responsabilidade de cada cidadão." Idérito Miguel Caldeira, também de São Paulo, considera o artigo muito oportuno e alerta que "cabe a nós, eleitores conscientes, escolher o caminho que o Brasil deve seguir".
Agente oculto e emendas parlamentares
Willian Martins, de Guararema, critica a figura do "agente oculto": políticos sem mandato que destinam recursos públicos por meio de emendas. "É, sem dúvida e sem poupar palavras, a esculhambação institucional brasileira", escreve. Maurílio Polizello Junior, de Ribeirão Preto, comenta a decisão do ministro Flávio Dino de bloquear R$ 6 milhões de emendas do ex-deputado Eduardo Cunha (Estadão, 12/7). Pergunta: "Não seria o caso de Dino determinar também a prisão de Cunha, pelo conjunto da obra? Não seria também o caso de acabar definitivamente com as famigeradas emendas parlamentares, fontes inquestionáveis de corrupção?"
Frustração geral e verbas partidárias
Aurélio Quaranta, de São Paulo, expressa desânimo com a "rapinagem monumental e criminosa" que parece institucionalizada no Brasil, e defende punições pesadas e efetivas. Gilberto Pereira Tiriba, de Santos, critica o volume das verbas partidárias: "bilhões são drenados para campanhas e marqueteiros enquanto o País patina em carências básicas de saúde, educação e infraestrutura". Luiz Frid, de São Paulo, ataca a ganância pelo poder: "Lula, aos 80 anos, quer ser reeleito e continuar na Presidência do Brasil, país que ele mesmo quebrou. Inacreditável!"
Bets e dependência
Adilson Roberto Gonçalves, de Campinas, comenta reportagem de Cristiane Barbieri (Arquitetura das plataformas de bets induz ao aumento do vício em apostas, Estadão, 11/7, A15): "No caso das bets, o jogador dependente se afundará em dívidas, e as plataformas continuarão livres e soltas, financiando esportes, atletas e influenciadores digitais. Mas, quando se fala em regulação, vem a grita geral de que se trata de censura."
Talento, método e equilíbrio
Gabriele Di Giulio, de São Roque, reflete sobre os artigos de José Roberto Mendonça de Barros (Talento não é tudo) e Leandro Karnal (O limite da perfeição), publicados na mesma edição do Estadão (12/7). Conclui: "Talento, método e equilíbrio talvez sejam a combinação de que o Brasil mais necessita. O talento cria oportunidades. O método transforma oportunidades em resultados. E o equilíbrio impede que a busca pelo aperfeiçoamento destrua aquilo que realmente importa."
Torcida e Copa do Mundo
Roberto Solano, do Rio de Janeiro, brinca: "Na Copa do Mundo, torci pelos países africanos, e não deu certo. Torci, fervorosamente, pelo Brasil, e foi um desastre. Agora, vou torcer pela Argentina com todas as minhas forças e, em outubro, torcerei por Lula." Paulo Roberto Gotaç, também do Rio, critica a seleção brasileira e alerta para a "temporada das campanhas eleitorais mais ferozes e mentirosas dos últimos tempos, emolduradas por selvagem polarização". J. S. Vogel Decol, de São Paulo, ironiza a eliminação da Noruega: "os vikings 'remaram, remaram e acabaram morrendo na praia' das quartas de final". José Ribamar Pinheiro Filho, de Brasília, destaca as semifinais: França x Espanha e Inglaterra x Argentina. José A. Muller, de Avaré, relembra a rivalidade Argentina-Inglaterra, incluindo a Guerra das Malvinas e o gol "La mano de Dios" de Maradona em 1986. Luiz Gonzaga Tressoldi Saraiva, de Salvador, torce pela Inglaterra: "Chegou a hora de dar o troco."
Música brasileira e esperança
Jane Araújo, de Brasília, lamenta: "A música brasileira acabou. O domínio absoluto do sertanejo, que é muito ruim, das músicas de louvor e, pior, do funk, que nem música é, destruiu nosso patrimônio musical. A mídia é a grande culpada por isso." Paulo Sergio Arisi, de Salvador, reflete: "Vivemos de esperanças. Estamos sempre em busca do amanhã. Quando o amanhã chega, transforma-se em hoje, em realidade, perdendo o encanto e a esperança implícitos no sentido da palavra 'amanhã'."



