Uma pesquisa realizada pelo BTG Pactual em parceria com o instituto Nexus revela que os eleitores mais jovens, com maior nível educacional e empregos formais são os que mais anseiam por uma alternativa à polarização política entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro. O levantamento aponta que 30% dos brasileiros entre 16 e 24 anos defendem a chamada terceira via, enquanto entre os que possuem ensino superior esse índice é de 28%. Já entre trabalhadores com carteira assinada, 25% preferem uma opção fora do duopólio PT-PL.
Perfil dos apoiadores da terceira via
Os dados mostram que a demanda por uma terceira via não é homogênea na população. Ela se concentra em grupos urbanos específicos: jovens, pessoas com formação universitária e trabalhadores formais. “A pesquisa indica que a busca por alternativas é mais forte entre aqueles que têm mais acesso à informação e maior exposição a debates políticos”, afirma o cientista político Antônio Lavareda, que analisou os números para a coluna de Míriam Leitão.
Entre os eleitores com 60 anos ou mais, o apoio à terceira via cai para 12%. Da mesma forma, entre aqueles com apenas ensino fundamental, o percentual é de 14%. A pesquisa também revela que a preferência por Lula ou Bolsonaro cresce conforme aumenta a idade e diminui a escolaridade.
Segmentação etária e educacional
O estudo, realizado entre os dias 15 e 20 de junho de 2026, ouviu 2.000 eleitores em todo o país. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. Os entrevistados foram questionados sobre sua intenção de voto para presidente e sobre a possibilidade de apoiar um candidato de terceira via. “Os números mostram que há um espaço eleitoral significativo para uma candidatura que consiga dialogar com esse eleitorado jovem e qualificado”, destaca Lavareda.
Entre os jovens de 16 a 24 anos, 30% afirmaram que votariam em um candidato de terceira via se houvesse uma opção viável. Esse percentual cai para 22% na faixa de 35 a 44 anos e para 18% entre 45 e 59 anos. No grupo acima de 60 anos, apenas 12% demonstraram interesse.
Impacto nas eleições de 2026
Os resultados indicam que a terceira via pode ter um papel relevante nas eleições presidenciais de 2026, especialmente se conseguir atrair o eleitorado mais jovem e escolarizado. No entanto, a pesquisa também ressalta que esse apoio não se traduz automaticamente em votos, pois depende da oferta de candidatos competitivos e de propostas claras.
Para a colunista Míriam Leitão, “a pesquisa mostra que a polarização não é absoluta e que há espaço para renovação política, mas os partidos precisam construir pontes com esses segmentos”. O levantamento completo está disponível para assinantes do jornal O Globo.



