Em artigo publicado na coluna Economia, o economista Gustavo Franco afirma que o Banco Central (BC) é apenas o mensageiro das condições fiscais do país, e que os juros estratosféricos são produto direto da irresponsabilidade fiscal. Segundo Franco, embora o BC seja frequentemente responsabilizado pelas altas taxas, a verdadeira culpa recai sobre os políticos que aumentam gastos sem lastro financeiro, pressionando as taxas de juros.
Dívida pública e impacto nos juros
Franco destaca que a dívida pública brasileira, equivalente a cerca de 80% do Produto Interno Bruto (PIB), é um fator crucial na determinação dos juros. Esse endividamento elevado gera incerteza no mercado, que exige prêmios de risco maiores, elevando os custos de financiamento para toda a economia. O artigo ressalta que, enquanto o governo não demonstrar compromisso com a disciplina fiscal, o BC terá pouca margem para reduzir a Selic.
O papel do Banco Central
O autor argumenta que o BC cumpre seu papel ao transmitir as condições fiscais para a taxa básica de juros. “O BC é apenas o mensageiro; a mensagem é de que o país gasta mais do que arrecada”, escreve Franco. Ele critica a prática de transferir a culpa para a autoridade monetária, afirmando que isso desvia o foco do verdadeiro problema: a falta de responsabilidade fiscal dos governantes.
Consequências para a economia
Os juros elevados impactam negativamente o investimento, o consumo e o crescimento econômico. Empresas e famílias enfrentam custos de crédito mais altos, o que desacelera a atividade produtiva. Franco alerta que, sem uma mudança na política fiscal, o Brasil continuará preso a um ciclo de juros altos e baixo crescimento, prejudicando a geração de empregos e a renda da população.



