Infantino sai fortalecido da Copa de 2026 apesar de polêmicas
Infantino sai fortalecido da Copa de 2026 apesar de polêmicas

A Copa do Mundo de 2026, sediada nos Estados Unidos, Canadá e México, gerou turbulências que, paradoxalmente, fortaleceram o presidente da FIFA, Gianni Infantino. O torneio foi alvo de críticas em diversas frentes: do preço dos ingressos ao isolamento da seleção do Irã, passando pelo veto a um árbitro somali e pela inédita entrega do prêmio da paz da FIFA ao presidente Donald Trump. Nos últimos dias, a antipatia atingiu o auge quando a FIFA permitiu que o atacante americano Folarin Balogun, suspenso, entrasse em campo após pressão de Trump, gerando condenação internacional.

Integridade da Copa em xeque

“A questão já não é apenas se o cartão vermelho original foi ou não justo”, afirmou Nick De Marco, advogado especializado em direito esportivo no Reino Unido. “A dúvida agora é se a FIFA comprometeu a integridade da Copa do Mundo — e a própria autoridade como reguladora global do futebol.” A controvérsia, no entanto, começou a esfriar após a goleada da Bélgica por 4 a 1 sobre os EUA, que eliminou a seleção americana.

Receita recorde e expansão do torneio

Infantino, de 56 anos, mantém o foco em gerar caixa. A FIFA deve arrecadar cerca de US$ 9 bilhões diretamente com a Copa de 2026, US$ 2 bilhões a mais que em 2022, no Catar. O torneio foi expandido de 32 para 48 seleções, e a premiação total dobrou para US$ 871 milhões. Cada país participante recebeu no mínimo US$ 12,5 milhões. Cabo Verde, por exemplo, faturou mais de US$ 21 milhões com sua campanha histórica, equivalente a cerca de 0,75% do PIB do país.

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Benefícios econômicos para cidades-sede

Dados do Bank of America entre 10 e 21 de junho mostram que os gastos em cartões de crédito e débito nas cidades-sede subiram 6,3% em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto as despesas de visitantes de fora avançaram 16,7%. Em algumas arenas, o gasto dos torcedores chegou a US$ 100 por pessoa durante a partida, quase o dobro do registrado em jogos da NFL.

Apoio político e reeleição

Infantino disputará nova eleição no início de 2027, durante o 77º Congresso da FIFA, em Rabat, no Marrocos. Cada uma das 211 associações filiadas tem direito a um voto. Até o momento, o resultado é tratado como formalidade, já que Infantino concorre sem adversários. Federações da Ásia, América do Sul e África já declararam apoio. “A FIFA está em sua melhor posição de todos os tempos”, disse o presidente da Confederação Asiática de Futebol, Sheikh Salman.

Críticas e resistência

Apesar do apoio majoritário, houve críticas de estrelas do futebol e políticos. O ex-técnico do Liverpool Jürgen Klopp afirmou: “Este é o nosso esporte, não o deles. Se Donald Trump e Gianni Infantino realmente resolveram isso entre si, é uma loucura. Isso coloca tudo em dúvida.” Políticos do Reino Unido e da Bélgica pediram a renúncia de Infantino. No entanto, para a maioria dos países-membros, o apoio ao dirigente segue firme. A Real Federação Marroquina de Futebol destacou “o grande trabalho realizado por Gianni Infantino e sua equipe para desenvolver o futebol africano e mundial”.

Legado do torneio

Apesar das controvérsias, a Copa de 2026 é vista como um sucesso em muitos aspectos. Os estádios ficaram cheios, os maiores astros brilharam e o torneio ampliou a representatividade global, com nove seleções africanas avançando ao mata-mata. A hospitalidade dos países-sede foi elogiada, especialmente após as Copas na Rússia e no Catar. O controle de Infantino sobre o esporte continua intacto, e a FIFA deve apresentar o torneio como um sucesso sem ressalvas.

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