O presidente da Federação Internacional de Futebol (Fifa), Gianni Infantino, apresentou um plano polêmico para vender participações comerciais da Copa do Mundo e da Copa do Mundo de Clubes a investidores privados. Segundo reportagem publicada neste sábado, o grupo de potenciais compradores inclui Joshua Kushner, empresário e cunhado do ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump.
Proposta de nova empresa para administrar torneios
De acordo com o jornal, Infantino estuda criar uma empresa independente que ficaria responsável por administrar os direitos comerciais da Copa do Mundo e do Mundial de Clubes. Essa nova entidade teria como objetivo maximizar as receitas geradas pelos torneios, atraindo capital privado de investidores de alto perfil. A proposta prevê a venda de participações nessa empresa, o que daria aos investidores uma fatia dos lucros futuros.
Joshua Kushner, fundador do fundo de investimentos Thrive Capital e marido de Ivanka Trump, é um dos nomes citados como potencial interessado. A presença de um familiar de Trump levanta questionamentos sobre possíveis conflitos de interesse e a influência política no esporte mais popular do mundo.
Oposição da Uefa e críticas à transparência
O plano encontrou forte resistência da União das Associações Europeias de Futebol (Uefa). Em comunicado interno, a entidade europeia afirmou que a proposta carece de transparência e alertou para o risco de transformar a essência do futebol em um mero produto comercial. A Uefa teme que a venda de direitos a investidores privados possa comprometer a independência da Fifa e priorizar interesses financeiros em detrimento do desenvolvimento do esporte.
Dirigentes de federações nacionais também expressaram preocupação. Alguns temem que a medida possa concentrar o poder de decisão nas mãos de poucos investidores, distanciando a gestão dos torneios das confederações e dos países-sede. A falta de detalhes públicos sobre o acordo agrava a desconfiança.
Contexto e possíveis impactos
A iniciativa de Infantino surge em um momento de crescimento das receitas da Fifa, mas também de crescentes críticas à governança da entidade. A venda de participações em torneios de futebol não é inédita – a própria Uefa já fez parcerias com fundos de investimento para a Liga dos Campeões. No entanto, a escala proposta por Infantino, envolvendo a Copa do Mundo – o maior evento esportivo do planeta –, eleva a controvérsia.
Especialistas apontam que, se concretizado, o acordo poderia injetar bilhões de dólares na Fifa, mas também gerar conflitos de interesse, especialmente se os investidores tiverem ligações políticas. A presença de Kushner, com laços familiares com Trump, amplifica as preocupações sobre a influência dos Estados Unidos no futebol global.
A Fifa ainda não se pronunciou oficialmente sobre o plano. A Uefa, por sua vez, prometeu levar o debate às próximas reuniões do Conselho da Fifa. O futuro da proposta dependerá da capacidade de Infantino em convencer os membros da entidade e as confederações continentais de que a medida trará benefícios sem comprometer a integridade do esporte.



