O ex-ministro da Fazenda e pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, afirmou nesta quarta-feira (8) que o estado corre o risco de "começar a criar milícias" no interior por causa, segundo ele, da redução da presença do poder público na segurança. A declaração foi dada ao comentar a situação da segurança pública no estado e fazer críticas à gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), durante entrevista no "Canal do Barão", no Youtube.
"Estamos inadvertidamente começando a criar milícias no interior de São Paulo, que são empresas que estão vendendo serviços de segurança, porque o Estado não está fazendo a segurança, trazendo um risco enorme para o começo de operações milicianas, como no Rio de Janeiro", afirmou. Haddad disse que a avaliação é baseada no que classificou como redução dos investimentos estaduais e citou dificuldades fiscais de São Paulo. Segundo ele, o estado "está com o caixa baixo mesmo depois da venda da Sabesp" e também sofre impactos do "tarifaço" anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Datafolha: Tarcísio 46% - Haddad 30% no primeiro turno em SP
O petista afirmou ainda que o custo do transporte de mercadorias aumentou por causa da insegurança, o que, segundo ele, reforça a necessidade de ampliar a atuação do Estado na área. A fala de Haddad foi dada no mesmo dia em que uma operação da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco) cumpriu 10 mandados de prisão e 10 de busca e apreensão contra um grupo investigado por furtar, roubar e receptar cargas de carne bovina em São Paulo e no Paraná. Nove pessoas foram presas e uma está foragida. Segundo os investigadores, o grupo atuava durante o transporte interestadual das cargas de carne. Após os crimes, os produtos eram levados para locais previamente definidos, onde os dispositivos de rastreamento eram retirados e a carga era transferida para contêineres refrigerados.
Pesquisa Datafolha divulgada no domingo (5) pelo jornal "Folha de S. Paulo" aponta que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, lidera a disputa pelo Palácio dos Bandeirantes. Segundo o levantamento, Tarcísio tem 46% das intenções de voto no 1º turno. O ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) está na segunda posição, com 30%.
Rebate da Secretaria da Segurança Pública
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) rebateu as declarações dizendo que as forças de segurança de São Paulo atuam de forma técnica e integrada, e que o enfrentamento ao crime organizado é feito com "inteligência, tecnologia, estratégia, policiamento ostensivo e investimentos contínuos." "No combate aos roubos de carga, o Estado tem obtido resultados consistentes. Nos cinco primeiros meses de 2026, os registros caíram 34% em relação ao mesmo período do ano passado, totalizando 1.061 ocorrências, o menor patamar da série histórica para o período. No interior, a redução foi de 46%, enquanto na capital e na região metropolitana o recuo foi de 31%."
A SSP também destacou que, desde janeiro de 2023, foram retiradas de circulação 752 toneladas de drogas, com prejuízo estimado em mais de R$ 3,4 bilhões ao crime organizado, além da prisão de 701,4 mil infratores, dos quais 266,1 mil eram procurados pela Justiça, e da apreensão de 45,2 mil armas de fogo. O investimento no combate às organizações criminosas ultrapassou R$ 1,7 bilhão.
Segurança pública e propostas de Haddad
Questionado sobre o aumento da letalidade policial em São Paulo e quais seriam suas propostas para a área, Haddad criticou a condução da Secretaria da Segurança Pública pelo ex-secretário Guilherme Derrite, que deixou o cargo em 2025 para retornar à Câmara dos Deputados. Segundo o pré-candidato, houve desrespeito à estrutura das polícias ao nomear pessoas próximas para cargos de comando, o que, na avaliação dele, enfraqueceu a cadeia de comando das corporações. Haddad também defendeu a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, elaborada pelo governo federal, e afirmou que, se eleito, apoiará a integração entre as forças estaduais e federais, com compartilhamento de dados entre polícias de diferentes estados. Ele disse ainda que pretende ampliar a participação da área de segurança nas decisões do governo: "Estou engajado no tema da educação, mas quero trazer o tema da segurança pública para a minha mesa."
Diálogo com a esquerda
Ao ser questionado sobre a possibilidade de buscar apoio de partidos de esquerda que aparecem com percentuais menores nas pesquisas eleitorais, Haddad afirmou que está disposto a negociar alianças. Segundo ele, ainda é cedo para avaliar a plataforma dos demais pré-candidatos, mas há disposição para construir entendimentos. "Não conheço a plataforma dos candidatos de esquerda, mas, assim que eu conhecer, se houver espaço para uma sintonia, sou uma pessoa que debate com qualquer pessoa disposta a ouvir e a chegar a algum acordo." O petista afirmou que é a primeira vez que pesquisas identificam candidaturas de partidos menores de esquerda com percentuais próprios e disse que acompanha a evolução do cenário eleitoral.
Pesquisa Datafolha detalhada
Pesquisa Datafolha divulgada no domingo (5) pelo jornal "Folha de S. Paulo" aponta que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), lidera a disputa pelo Palácio dos Bandeirantes. Segundo o levantamento, Tarcísio tem 46% das intenções de voto no 1º turno. O ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) está na segunda posição, com 30%. Veja os números: Tarcísio de Freitas (Republicanos) - 46%; Fernando Haddad (PT) - 30%; Vera Lúcia (PSTU) - 5%; Carlos Machado (PCB) - 4%; Vivian Mendes (Unidade Popular) - 4%; Branco/nulo/nenhum - 8%; Não sabe - 3%. Em um eventual 2º turno, Tarcísio teria 53% de votos ante 37% de Haddad. A pesquisa foi registrada sob o número SP-01703/2026, ouviu 1.608 pessoas entre quarta (1º) e sexta-feira (3), com margem de erro de 2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
A desistência de Kim Kataguiri (Missão) e Paulo Serra (PSDB) da disputa pelo governo de São Paulo retira do páreo dois pré-candidatos que, juntos, somavam cerca de 10% das intenções de voto, segundo a última pesquisa Datafolha, de março. Este pode ser um cenário inédito no estado, com apenas dois candidatos de partidos com representação na Câmara dos Deputados. Os números do Datafolha indicam Tarcísio com 52% dos votos válidos; Haddad tem 34%. Para vencer a eleição, um candidato deve ter 50% dos votos válidos mais um.
Rejeição
A pesquisa também mediu a rejeição aos possíveis candidatos ao governo de São Paulo em 2026. Não votaria de jeito nenhum no primeiro turno: Fernando Haddad (PT) - 47%; Tarcísio de Freitas (Republicanos) - 29%; Carlos Machado (PCB) - 22%; Vera Lúcia (PSTU) - 22%; Vivian Mendes (Unidade Popular) - 15%; Branco/nulo/nenhum - 3%; Rejeita todos/não votaria em nenhum - 3%; Não sabe - 5%.



