A greve geral convocada pelos sindicatos em Portugal nesta quarta-feira resultou no cancelamento de centenas de voos e na paralisação de serviços essenciais em todo o país. A mobilização, organizada pela Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP), protesta contra a reforma da legislação trabalhista proposta pelo governo. De acordo com dados oficiais, cerca de 340 voos foram cancelados, dos quais 11 ligavam Portugal ao Brasil. O setor de turismo, um dos pilares da economia portuguesa, sofreu impactos significativos, com hotéis e restaurantes registrando queda no movimento.
Protestos e confrontos em Lisboa
Em Lisboa, milhares de manifestantes ocuparam as ruas do centro, especialmente na região do Marquês de Pombal e da Avenida da Liberdade. Houve confrontos entre grupos de manifestantes e a polícia, que utilizou bombas de gás lacrimogêneo para dispersar os ânimos. A CGTP estima que a adesão à greve tenha sido massiva, com trabalhadores de transportes, saúde, educação e administração pública aderindo ao movimento. Os sindicatos argumentam que a reforma trabalhista enfraquece a proteção ao trabalhador, flexibiliza as relações de trabalho e reduz direitos conquistados historicamente.
Impacto no turismo e na economia
O turismo representa cerca de 15% do Produto Interno Bruto (PIB) de Portugal e emprega milhares de pessoas. Com o cancelamento de voos, muitos turistas estrangeiros, especialmente brasileiros, ficaram retidos ou tiveram que remarcar suas viagens. A Associação de Turismo de Lisboa informou que a greve pode gerar prejuízos milionários ao setor. Além dos voos, serviços como transporte público, coleta de lixo e atendimento hospitalar foram parcialmente paralisados.
O governo português, por sua vez, defende a reforma como necessária para modernizar as leis trabalhistas e aumentar a competitividade econômica. No entanto, os sindicatos prometem continuar a mobilização caso as negociações não avancem. A greve geral desta quarta-feira é considerada uma das maiores dos últimos anos e expõe a insatisfação social em relação às políticas de austeridade e flexibilização trabalhista.



