O governo brasileiro rejeitou a tarifa de 12,5% imposta pelos Estados Unidos sobre o aço nacional, classificando a medida como uma manipulação de um tema caro aos direitos humanos. Em meio à pressão eleitoral, o secretário do Tesouro Nacional afirmou que o superávit primário será alcançado 'custe o que custar', negando um possível 'all in' fiscal.
Reação do governo à tarifa americana
O Ministério da Economia divulgou nota oficial repudiando a decisão dos EUA de restabelecer a tarifa de 12,5% sobre o aço brasileiro, que passa a valer a partir desta sexta-feira (24). Segundo a pasta, a medida 'manipula um tema caro aos direitos humanos' e prejudica as relações comerciais bilaterais.
A tarifa foi justificada pelo governo americano com base em alegações de trabalho forçado na cadeia produtiva do aço brasileiro, o que foi prontamente negado pelo Itamaraty. O Brasil promete recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) contra a sobretaxa.
Compromisso com o superávit fiscal
Em paralelo, o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, afirmou que o governo está comprometido em melhorar o resultado fiscal 'custe o que custar', mesmo em ano eleitoral. A declaração visa afastar temores do mercado de que o governo adotaria uma postura fiscal expansionista para impulsionar a reeleição do presidente Lula.
'Não há risco de all in fiscal. Vamos perseguir o superávit primário com responsabilidade', disse Ceron durante evento da Expert XP 2026. A meta fiscal para 2026 é de superávit de 0,5% do PIB, mas analistas questionam a viabilidade diante das pressões por gastos.
Impactos no mercado financeiro
O Ibovespa opera em queda nesta sexta-feira, pressionado pela nova tarifa dos EUA e pela aversão a risco global. Investidores monitoram ainda a fala de Janet Yellen, secretária do Tesouro americano, que afirmou na Expert XP que 'não existe moeda que possa substituir o dólar', reforçando a hegemonia da moeda americana.
O JPMorgan alertou que o alívio no fluxo estrangeiro para a Bolsa brasileira não deve durar, enquanto a Vanguard recomenda reavaliação da renda fixa como proteção. Apesar do cenário, o governo mantém o discurso de que a economia está no rumo certo.



