Após o recesso parlamentar, o Palácio do Planalto terá pouco mais de duas semanas para tentar destravar propostas prioritárias no Congresso antes do início oficial da campanha eleitoral, marcado para 16 de agosto. O governo Lula busca aprovar projetos como o fim da escala 6x1 de trabalho e a Política Nacional dos Minerais Críticos, além da PEC da Segurança Pública e do projeto contra a misoginia.
Pautas prioritárias e resistência no Senado
Entre as pautas consideradas urgentes, o fim da escala 6x1 é uma das principais bandeiras do governo, mas enfrenta resistência de setores empresariais e de parlamentares conservadores. Já a Política Nacional dos Minerais Críticos visa regulamentar a exploração de terras raras e outros minérios essenciais para a transição energética, mas também depende de negociação com a base aliada e a oposição.
A PEC da Segurança Pública, que propõe mudanças no sistema de segurança, e o projeto contra a misoginia, que tipifica crimes de ódio contra mulheres, também estão na lista de prioridades. No entanto, ambos enfrentam dificuldades no Senado, onde a oposição tem maioria em algumas comissões.
Desafio do calendário eleitoral
Com o recesso parlamentar de julho, o Congresso retorna aos trabalhos no início de agosto, restando apenas duas semanas úteis antes do dia 16, quando a campanha eleitoral começa oficialmente. A partir dessa data, os parlamentares se envolvem diretamente nas eleições municipais, reduzindo a capacidade de articulação e votação de matérias complexas.
O governo Lula reconhece o desafio e intensifica as conversas com líderes partidários para garantir quórum e aprovação das propostas. Segundo fontes do Planalto, a estratégia é focar nas pautas com maior consenso e deixar para depois as que exigem mais negociação.
Impacto na base aliada
A base aliada do governo no Congresso está fragmentada, com partidos como o MDB e o PSD divididos entre apoiar as pautas do Planalto e preservar suas candidaturas locais. A oposição, por sua vez, promete obstruir as votações para desgastar o governo antes das eleições.
O presidente Lula tem feito apelos públicos para que os parlamentares priorizem os interesses nacionais, mas a realidade política indica que o tempo é curto e as negociações serão intensas nos próximos dias.



