Tarifa dos EUA atinge madeira processada: setor perde US$ 300 mi
Tarifa dos EUA atinge madeira processada: perdas de US$ 300 mi

A nova tarifa americana de 25% sobre produtos brasileiros começa a valer no dia 22 de julho. A medida afeta quase 3 mil produtos, que respondem por cerca de 18% das exportações do Brasil para os Estados Unidos. O setor de madeira processada está entre os mais prejudicados.

Fábrica em Santa Catarina depende do mercado americano

Das mãos de 650 funcionários nascem molduras de madeira reflorestada. 80% dos produtos de uma fábrica em Rio Negrinho, Santa Catarina, vão para os Estados Unidos. A empresa foi criada há 17 anos para atender a uma demanda específica da construção civil americana.

Ao contrário do Brasil, as casas americanas normalmente usam muito mais molduras e peças de madeira na construção. Na sala, por exemplo, elas viram acabamento, como rodapé. Também são usadas nos batentes de portas e janelas. Existe toda uma linha de produção feita sob medida. Os produtos atendem a normas e especificações dos Estados Unidos: são pisos, chapas de compensado e até cercas que ficam na frente das casas americanas.

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Dificuldade em realocar exportações

É por isso que o setor de madeira processada é um dos mais atingidos pela tarifa de 25% e por isso fica tão difícil encontrar novos parceiros comerciais. “Como nós já atendemos praticamente o mercado global, você tirar um volume do mercado americano e tentar recolocar não é uma tarefa simples. É um trabalho nem de curto nem de médio prazo. É um trabalho bem desafiador para realinhar o fluxo comercial”, afirma Paulo Roberto Pupo, superintendente da Abimci.

O setor ainda não calculou quanto vai deixar de faturar com a nova taxação. Mas, desde 2025, com o vai e vem das tarifas americanas, as perdas ultrapassam US$ 300 milhões.

Insegurança do importador americano

Na fábrica de Santa Catarina, o empresário enxerga, do outro lado do balcão, o importador americano ficando mais inseguro. “Ocorrem tentativas de negociação de reduzir preços até abaixo do custo para tentar compensar a tarifa, dividir parte da tarifa de maneira a compensar alguma coisa. O Brasil, hoje, vira um fator de risco para o comprador americano por essa instabilidade. Por você não saber qual, efetivamente, vai ser a nossa capacidade de cumprir com o volume e atender esse mercado e manter o negócio sustentável”, pergunta Daniel Woiski, diretor-geral da Sólida Brasil Madeiras.

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