O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante o lançamento do programa Move Brasil, vê-se agora no centro de um debate que une economistas de diferentes vertentes: o agravamento da crise fiscal é uma realidade preocupante, e o governo, em seu afã de distribuir bondades eleitoreiras, está a deixar uma herança funesta para o próximo mandato. A conclusão é unânime entre analistas, mesmo que as metodologias de cálculo variem.
Metodologias divergentes, mesma conclusão
Diferentes institutos e consultorias têm se debruçado sobre os números fiscais. Seja pelo prisma do déficit primário, da dívida bruta ou da regra do teto de gastos, o diagnóstico é o mesmo: a trajetória é insustentável. O governo, pressionado pelas eleições municipais e pela necessidade de aprovação popular, tem ampliado despesas sem a contrapartida de receitas permanentes. Segundo o GLOBO, a situação é ainda mais grave porque as chamadas “bondades” têm caráter permanente, enquanto o financiamento é temporário.
Impacto nas contas públicas
A expansão de programas como o Bolsa Família, o aumento real do salário mínimo e os reajustes salariais do funcionalismo são exemplos de medidas que elevam o gasto corrente. O governo aposta em receitas extraordinárias, como a tributação de fundos exclusivos e offshores, mas essas fontes são incertas. Especialistas apontam que, para 2024, o déficit primário pode superar 1% do PIB, contrariando a meta de déficit zero. A dívida pública bruta, que já ultrapassa 80% do Produto Interno Bruto, deve continuar crescendo.
Um alerta para o futuro
O editorial do GLOBO ressalta que não se trata de criticar a política social, mas de alertar para a insustentabilidade fiscal. Sem um ajuste estrutural, o país corre o risco de ver a inflação retornar, os juros subirem e o crescimento econômico ser comprometido. A herança funesta mencionada não é apenas para o próximo presidente, mas para toda a sociedade brasileira. Enquanto isso, o governo parece ignorar os sinais, apostando em um cenário otimista que pode não se confirmar.



