A diretora da GCHQ, a agência de inteligência e cibersegurança do Reino Unido, Anne Keast-Butler, fez um alerta contundente sobre o aumento das atividades de espionagem de Rússia e China contra países ocidentais. Em discurso raro em Bletchley Park, centro de decifração de códigos na Segunda Guerra Mundial, ela afirmou que há uma “janela cada vez mais estreita” para que o Reino Unido e seus aliados mantenham vantagem.
Ameaça renovada e uso de inteligência artificial
Keast-Butler destacou que a inteligência artificial está transformando a guerra, tornando-a “orientada por dados, impulsionada por IA e automatizada”, em conflitos que vão da Ucrânia ao Irã. Ela classificou a China como “superpotência científica e tecnológica” com capacidades sofisticadas em inteligência, cibernética e militar. Já a Rússia expande agressividade no exterior, atacando infraestruturas críticas, processos democráticos e cadeias de suprimentos.
Contexto histórico e alianças
O discurso ocorreu no 80º aniversário do acordo de inteligência de sinais Reino Unido–Estados Unidos de 1946, precursor da aliança Five Eyes. Tanto China quanto Rússia se tornaram mais ousadas em vigilância e espionagem, como evidenciado por casos recentes: no Reino Unido, um agente de fronteira e ex-funcionário de Hong Kong foram condenados por espionar dissidentes chineses; nos EUA, dois chineses foram acusados de recrutar espiões nas Forças Armadas americanas.
Vigilância em Cuba e pressão dos EUA
Avaliações da inteligência dos EUA indicam que China e Rússia aumentaram equipamentos de vigilância em Cuba, triplicando efetivo na ilha desde 2023. O governo Trump intensificou pressão sobre Cuba, denunciando Raúl Castro por conspiração para matar cidadãos americanos.
Urgência em cibersegurança e recomendações
Keast-Butler pediu que empresas e indivíduos tratem a cibersegurança com urgência “10 vezes maior”. Para o governo, fortalecer laços com aliados e novas parcerias. Para cidadãos, substituir senhas por chaves de acesso. Ela evitou defender proibição de infraestruturas de TI estrangeiras, defendendo apoio a empresas nacionais, criptografia robusta e proteção de cadeias de suprimentos. “Soberania não significa ‘feito no Reino Unido’, desde que administremos cadeias de suprimentos, dependências e dados”, concluiu.



