A pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta segunda-feira (15) mostra que os potenciais candidatos de centro-direita Ronaldo Caiado (União Brasil), Renan Santos (MDB) e Romeu Zema (Novo) não conseguem capturar os votos perdidos por Flávio Bolsonaro (PL). O ex-presidente caiu de 33% para 28% nas intenções de voto para 2026, enquanto o presidente Lula (PT) lidera com 40%. A fragmentação da direita e o fato de os três serem pouco conhecidos nacionalmente são as principais hipóteses para a ausência de um 'herdeiro' político de Bolsonaro.
Cenário de terceira via enfraquecida
De acordo com o levantamento, os votos que Flávio perdeu não migraram para Caiado, Zema ou Renan. Juntos, os três somam apenas 12% das intenções de voto – Caiado tem 5%, Zema 4% e Renan 3%. O percentual de eleitores que declaram voto nulo ou branco subiu para 15%, e os indecisos chegam a 18%. Para o cientista político Alberto Almeida, da Quaest, 'a direita está fragmentada e os nomes alternativos ainda não decolaram. O cenário atual é de uma terceira via que não se concretiza'.
Rejeição a Flávio cresce
A rejeição ao ex-presidente também aumentou: 48% dos entrevistados afirmam que não votariam em Flávio de jeito nenhum, ante 43% na pesquisa anterior. 'Flávio perdeu apoio entre eleitores de direita, mas esses votos não foram para Caiado, Zema ou Renan. Foram para a abstenção ou para a indecisão', explica Almeida. A pesquisa ouviu 2.000 eleitores presencialmente entre 10 e 13 de julho, com margem de erro de dois pontos percentuais.
Falta de notoriedade nacional
Dos três candidatos, o mais conhecido é Ronaldo Caiado, governador de Goiás, com 45% de reconhecimento. Zema, governador de Minas Gerais, é conhecido por 38% dos eleitores. Já Renan Santos, senador por São Paulo, tem apenas 22% de conhecimento público. 'Eles são nomes regionais que ainda não conseguiram projeção nacional. Enquanto isso, Lula mantém 40% das intenções de voto, mostrando que a polarização com Flávio ainda domina o cenário', avalia a analista política Maria Silva, da Genial Investimentos.
Impacto para 2026
O levantamento indica que, a menos que um desses nomes consiga se consolidar como alternativa viável, a eleição de 2026 pode repetir o segundo turno entre Lula e Flávio. 'A fragmentação da direita beneficia Lula, que já tem seu eleitorado fiel. Se a direita não se unir em torno de um nome, a disputa será novamente polarizada', conclui Almeida. A pesquisa Genial/Quaest é a primeira após o início do período eleitoral e serve como termômetro para as estratégias dos partidos.



