Flávio Bolsonaro lança 3 eixos para mulheres em meio a crise com Michelle
Flávio apresenta 3 eixos para eleitorado feminino

O senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) realiza nesta quarta-feira, no Lago Sul, em Brasília, uma reunião com parlamentares e lideranças femininas do partido para apresentar os três eixos que nortearão sua campanha entre as mulheres. O encontro ocorre em meio à crise com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e busca tanto divulgar propostas já elaboradas quanto ouvir sugestões das participantes.

Os três pilares da campanha

A campanha estruturou sua proposta em três pilares prioritários para o público feminino: proteção, com foco em segurança pública; oportunidades financeiras, voltadas ao empreendedorismo, geração de renda e autonomia econômica; e cuidados, que reúne propostas relacionadas à saúde e ao bem-estar das mulheres. A ideia é apresentar uma primeira versão dessas diretrizes e colher contribuições das parlamentares e lideranças antes da consolidação do programa voltado ao eleitorado feminino.

Coordenação e participações

A formulação dos três pilares ficou sob coordenação da ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques, que passou a integrar o núcleo de elaboração do programa de governo de Flávio na área econômica. Segundo integrantes da campanha, a economista pretende transportar para a pré-campanha experiências desenvolvidas durante sua passagem pelo banco, especialmente iniciativas voltadas à autonomia financeira das mulheres, inclusão produtiva, educação financeira, empreendedorismo e qualificação profissional. Participarão do encontro, entre outros, as deputadas Bia Kicis (PL-DF) e Julia Zanatta (PL-SC).

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Daniella Marques cotada para vice ou ministério

Recém-filiada ao Republicanos, Daniella Marques passou a ser apontada por aliados de Flávio como um dos nomes mais fortes para ocupar a vaga de vice na chapa presidencial ou assumir um ministério da área econômica. O senador já declarou publicamente que pretende escolher uma mulher para compor a chapa e indicou que gostaria de ter uma liderança feminina na condução da política econômica. Segundo interlocutores da campanha, Daniella tornou-se uma das preferidas por reunir perfil técnico, boa interlocução com o mercado financeiro e trânsito entre partidos do centro. A filiação ao Republicanos, porém, ainda é vista como um entrave para uma eventual indicação à vice, já que a legenda ainda não definiu se apoiará a candidatura presidencial do senador ou seguirá outro caminho na eleição.

Crise com Michelle Bolsonaro

A reunião acontece em um momento delicado para a pré-campanha de Flávio, que enfrenta dificuldades para crescer entre as mulheres e tenta reorganizar sua estratégia após uma crise interna no partido, deflagrada por um vídeo de Michelle Bolsonaro. Na terça-feira, Michelle anunciou que deixará a presidência do PL Mulher, cargo que ocupava desde 2023, e afirmou em nota que tomou a decisão após conversar com o ex-presidente Jair Bolsonaro, dedicando-se integralmente aos cuidados do marido e da filha. O impasse teve início após divergências sobre a articulação do partido para a disputa ao Senado no Ceará. Michelle defendia que a vereadora Priscila Costa (PL-CE), vice-presidente nacional do PL Mulher e uma de suas principais aliadas, fosse contemplada com uma das vagas, enquanto Flávio conduziu as negociações em outra direção, abrindo espaço para uma composição envolvendo o grupo do deputado André Fernandes (PL-CE) e setores ligados ao ex-ministro Ciro Gomes (PSDB).

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O impasse levou Michelle a divulgar, na semana passada, um vídeo de 26 minutos em que acusou Flávio de tratá-la com desrespeito e afirmou ter sido alvo de ataques “coordenados” dos enteados nas redes sociais. Desde então, a direção do PL passou a atuar para tentar reconstruir a relação entre madrasta e enteado. Flávio passou a fazer declarações públicas pedindo desculpas à madrasta caso ela tivesse se sentido ofendida, e a convidou, por meio das redes, mais de uma vez para participar do encontro. A expectativa da cúpula do partido era que Michelle participasse da reunião como um gesto público de reaproximação, mas a ex-primeira-dama não irá. A senadora Damares Alves (Republicanos-DF), uma das principais aliadas de Michelle e que também atuou nas negociações para pacificar a crise, igualmente não deve participar da agenda.