Fim do ciclo petista: Lula encerra hegemonia da esquerda no Brasil
Fim do ciclo petista: Lula encerra hegemonia

O último tango eleitoral de Lula marcará o fim de um ciclo hegemônico da esquerda petista no cenário político nacional. Em termos de poder, é inegável o êxito do projeto posto em prática: da base sindical ao entremeio cultural e intelectual, com projeções sobre setores da elite econômica e militância engajada, o PT criou capilaridade política com vereadores, prefeitos, governadores, deputados e senadores, constituindo esteio de sustentação a recorrentes vitórias presidenciais com Lula e Dilma. A pseudo-oposição do PSDB serviu ao enredo do baile. Sem dó nem culpa, a máquina eleitoral petista moeu impiedosamente os tucanos, condenando-os à quase extinção.

O declínio do PT e a ascensão de Bolsonaro

Mas, em política, quem se quer absoluto pode se tornar relativo. E, uma vez relativo, descartável. Com o impeachment de Dilma, houve certa brisa reformista com Temer, logo tragado pelo redemoinho da luta frontal de interesses. Se não fosse a experiência e traquejo da velha guarda emedebista, o País teria mergulhado em profunda espiral rumo ao caos institucional. Aos trancos e barrancos, chegamos ao pleito de 2018.

Apesar da vitória eleitoral – rompendo a dominação petista –, o tumulto continuou com Bolsonaro, que, sob impacto da pandemia, potencializou o tom de antagonismo e a ruptura sistêmica, com movimentos erráticos e sem base política organizada. O gatilho conflitivo espalhou pólvora, das finanças à mídia, desembocando no sistema de justiça. Ao som do alarme, o resgate de ocasião encontrou um Lula cansado, impaciente, despido da liderança de outrora, conduzindo um governo opaco.

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A decadência de Lula e a falta de sucessor

Ora, a decadência de Lula marca o fim do petismo. Objetivamente, não há dentro do partido ninguém capaz de substituí-lo. Assim como o personalismo de Brizola apequenou o PDT, o egocentrismo de Lula reduziu a amplitude petista a seu umbigo. Adicionalmente, a intelectualidade, que municiava o debate público e acadêmico com idealismo e sonho, viu a realidade política destruir sua ingenuidade juvenil. Quem ainda não reconhece a gravidade corrupta do mensalão e do petrolão é porque ainda acredita em Papai Noel. Aliás, a próxima ceia terá um “master case” para os profetas da desonestidade renovarem suas crenças e votos.

Sim, desde a estabilidade do Plano Real, foram criadas condições para um Brasil melhor. Na contramão da História, a esquerda brasileira ficou presa a mitos marxistas do passado, exaurindo o discurso da luta de classes. Por pragmatismo, o Bolsa Família está hoje incorporado ao contexto político de ambos os lados, diminuindo sua margem de captura eleitoral. Após governos sucessivos, o PT não entregou mais nada de efetivo ao povo; só promessas com a consistência do pó.

O impacto das redes sociais e a nova direção de Washington

Aqui, não adianta mentir nem fazer marchinha de Carnaval; as redes sociais, em cores e bom som, colocam a incompetência governamental em pauta. Ainda, sob a nova direção de Washington, será mais difícil o apoio de algoritmos tendenciosos ou a censura no mercado livre das ideias. O debate será frontal e o PT pouco tem a dizer de bom ou útil aos brasileiros.

Na emergência da hora, a saída fácil da emissão de moeda em benesses assistencialistas de empreitada terá efeito limitado, pois as pessoas estão sentindo na pele as queimaduras do desgoverno atual: a inflação, a corrupção, o garrote tributário, o achatamento do poder aquisitivo e o endividamento familiar estão a sufocar a todos. Isso sem falar no império do narcotráfico, da falta de escolas a nossas crianças e do sistema de saúde flagelado. Após quase 20 anos de governos petistas, não dá para simplesmente culpar as elites nem jogar a responsabilidade da esquerda para debaixo do tapete. A força da realidade desmente a burla dos fatos.

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A busca por prosperidade e o papel da direita

É lógico que a desigualdade social segue sendo dolorosa chaga nacional. Mas os pobres querem se libertar de suas dores. Em vez de paliativos assistencialistas, os brasileiros querem a cura da prosperidade: a possibilidade de uma renda digna e a ascensão social pelo trabalho dedicado, paz e segurança nas ruas, uma boa alimentação, moradia, transporte, médicos e exames nos postos de saúde e um sistema de ensino que garanta empregabilidade, ampliando possibilidades futuras.

Não é pedir muito. Basta um governo competente e decidido a fazer o bem. Isso é impossível pela via da esquerda que, pasmem, ainda condena o capitalismo, embora goste muito de dinheiro alheio. Portanto, o futuro do Brasil passa longe do esquerdismo tacanho que recorrentemente empobrece o País.

Eis aí a oportunidade da mudança? Sem dúvida, mas a superação da esquerda não se fará com uma direita de estupidez reversa. É preciso, fundamentalmente, ensinar um novo caminho – melhor, mais próspero e capaz – a todos os brasileiros. Há, no pleito de outubro próximo, chance de ouro para uma direita inteligente que pratique a boa política com liderança séria, valores firmes e decisões virtuosas. O problema é que o tempo passa e a pergunta fica: de onde virá a cura?