Extrema direita usa medo como arma, diz Dorrit Harazim
Extrema direita usa medo como arma, diz Dorrit Harazim

A coluna desta semana de Dorrit Harazim abre com um cenário que mistura geografia e política: Donald Trump, em postagens alarmadas, afirma que os Estados Unidos se transformarão em uma Ceuta se os democratas vencerem as eleições de 2028. A comparação não é aleatória. Ceuta, um enclave espanhol na costa do Marrocos, tornou-se símbolo de uma Europa cercada pela imigração irregular.

Uma imagem capturada de um vídeo da AFP, reproduzida na coluna, mostra migrantes desembarcando na costa de Ceuta. A foto, assinada por Lucia Diaz, ilustra o tom do aviso de Trump: sem controle de fronteiras, o país seria invadido. Para a jornalista e documentarista, esse é o mais novo capítulo do uso do medo como arma pela extrema direita.

O que é Ceuta e por que ela virou metáfora

Ceuta é uma cidade autônoma espanhola de cerca de 85 mil habitantes, localizada no norte da África, limitada pelo Marrocos e pelo mar Mediterrâneo. Por sua posição estratégica, ela é uma das principais rotas de entrada de imigrantes na Europa. A cidade tem cercas de arame farpado e é vigiada de perto pelas autoridades espanholas e europeias.

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Em 2021, a região viveu uma crise quando milhares de pessoas entraram no enclave após uma flexibilização das fronteiras pelo Marrocos. O episódio reforçou a imagem de Ceuta como um ponto de pressão migratória, frequentemente usado por políticos para defender políticas mais duras de imigração.

Na coluna, Dorrit Harazim ressalta que Trump se apropria desse imaginário para descrever um futuro sombrio para os EUA. A mensagem é direta: se os democratas governarem, a fronteira americana não será protegida, e o país viverá uma crise humanitária e de segurança semelhante à europeia.

O medo como ferramenta de mobilização

A jornalista argumenta que a extrema direita não criou o medo, mas aprendeu a usá-lo de forma sistemática. Trump, em particular, já havia usado retórica semelhante em campanhas anteriores, falando em "invasão" e "caravanas de migrantes". A novidade agora é a projeção de uma data futura, 2028, para dar concretude à ameaça.

Essa estratégia não se limita aos EUA. Na Europa, partidos de extrema direita também usam a imagem de Ceuta e das cidades espanholas do outro lado do Mediterrâneo para alimentar o pânico. O medo do "outro" se torna uma moeda eleitoral valiosa.

Ao antecipar o debate de 2028, Trump busca mostrar que é o único capaz de impedir que os EUA se tornem um território sem controle. A postura coloca os democratas, especialmente o futuro candidato, na defensiva.

Exclusivo para assinantes: o papel da coluna

O texto de Dorrit Harazim é um conteúdo exclusivo para assinantes do jornal, parte de uma seção de opinião que acompanha a política internacional. A autora, que atua como jornalista e documentarista, não se limita a repercutir as postagens de Trump; ela analisa as implicações do discurso e as estratégias por trás dele.

Para ela, a comparação com Ceuta é exagerada, mas isso não reduz sua eficácia política. Afinal, a retórica do medo não precisa ser precisa; precisa ser plausível o suficiente para ativar os receios do eleitorado.

O impacto de 2028 nas democracias

Dorrit Harazim observa que a arma do medo não é inofensiva. Quando líderes políticos projetam cenários de colapso, eles desviam a atenção de soluções reais e criam um ambiente de hostilidade contra minorias e imigrantes. A coluna sugere que esse tipo de discurso tende a se intensificar nos próximos anos.

Se a eleição de 2028 nos EUA for pautada pelo pânico, outras democracias podem seguir o mesmo caminho. A imagem de Ceuta, nesse contexto, deixa de ser apenas um lugar geográfico para se tornar um símbolo do que acontece quando o medo vence a razão.

Ao final, a colunista deixa uma pergunta no ar: será que os eleitores vão comprar essa comparação, ou vão perceber que Ceuta, com seus muros e cercas, é justamente o resultado de uma política de exclusão que não resolve as causas da migração?

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