Os Estados Unidos têm aplicado tarifas sobre produtos de 60 países sob a alegação de trabalho forçado, uma medida que, segundo especialistas, não encontra respaldo na Organização Mundial do Comércio (OMC) nem na Organização Internacional do Trabalho (OIT). Apesar disso, a ação é considerada uma estratégia inteligente do governo americano para impor barreiras comerciais.
Estratégia questionável
Fernando Ribeiro, pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), analisou a situação e destacou que a alegação de trabalho forçado é difícil de ser comprovada, criando um obstáculo para os países exportadores. "É uma tática que coloca o ônus da prova sobre os países acusados, que precisam demonstrar que suas cadeias produtivas estão livres de trabalho escravo", explicou Ribeiro.
Falta de base legal
O especialista ressalta que, embora a medida pareça legítima do ponto de vista moral, ela carece de sustentação jurídica internacional. "Nem a OMC nem a OIT possuem regras que autorizem tarifas baseadas unicamente em alegações de trabalho forçado. Isso pode ser visto como uma forma de protecionismo disfarçado", afirmou.
Impacto no comércio global
A iniciativa americana já gerou reações de diversos países, que veem a medida como uma tentativa de proteger a indústria doméstica dos EUA. Para Ribeiro, a estratégia é inteligente porque utiliza uma bandeira moralmente aceitável para justificar barreiras comerciais, mas pode levar a retaliações e enfraquecer o sistema multilateral de comércio.
O pesquisador conclui que a falta de respaldo internacional não impede os EUA de continuar com a política, mas aumenta as chances de disputas na OMC. "É uma jogada arriscada, mas que pode dar resultados no curto prazo", finalizou.



