O Ministério das Relações Exteriores do Brasil mapeou 43 empresas e associações comerciais americanas que solicitaram que produtos brasileiros não sejam tarifados com base na investigação aberta pelo governo de Donald Trump. Os pedidos foram apresentados sob o argumento de que não há substitutos produzidos no mercado doméstico dos Estados Unidos para esses itens.
Argumentos contra as tarifas
As entidades alertaram que a aplicação das tarifas elevaria os custos para consumidores americanos e para indústrias dos EUA que utilizam esses produtos como insumos. A informação consta da resposta oficial enviada pelo governo brasileiro ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). No documento, assinado pelo chanceler Mauro Vieira, o governo brasileiro rebate a investigação do USTR, que acusa o Brasil de adotar práticas que "oneram ou restringem" o comércio com empresas americanas.
Impacto potencial e audiências públicas
O processo pode resultar na imposição de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. O g1 questionou o Itamaraty sobre quais empresas e produtos foram identificados, mas não recebeu resposta até a última atualização. Na segunda-feira (6), o USTR abriu a fase de audiências públicas, com participação de representantes de associações brasileiras e americanas de setores como café, arroz, açúcar, etanol de milho, ferro-gusa, rochas ornamentais, madeira, papel, calçados, mel e propriedade intelectual.
Declarações de líderes empresariais
Para o presidente da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham), Abrão Neto, "a aplicação de novas tarifas seria prejudicial para ambas as economias, com impactos negativos para o setor produtivo e os consumidores dos Estados Unidos, além de perda de competitividade das exportações brasileiras para um mercado crucial". Ele mencionou que a participação dos EUA no comércio total do Brasil caiu para 11,2% nos cinco primeiros meses de 2026, o menor nível já registrado. As importações brasileiras dos EUA também recuaram 11% no mesmo período.
Riscos de dependência da China
Neto complementou que "essas tendências sugerem que tarifas adicionais podem reduzir ainda mais a presença comercial e a influência econômica dos EUA em um dos maiores mercados emergentes do mundo, abrindo espaço para que concorrentes estrangeiros ampliem sua participação às custas das empresas americanas". Representantes de empresas avaliam que a adoção de novas tarifas é praticamente inevitável, mas esperam que o alcance da medida seja calibrado. Um argumento central é que encarecer importações brasileiras pode aumentar a dependência das cadeias produtivas dos EUA de insumos chineses, contrariando a estratégia comercial de Trump.
Detalhes da investigação do USTR
Os EUA concluíram a investigação e propuseram tarifa de 25% sobre parte dos produtos brasileiros, mas a medida ainda não vigora. Segundo o relatório do USTR, o Brasil adota práticas que "oneram ou restringem" o comércio americano, incluindo o funcionamento do PIX, decisões judiciais sobre redes sociais, acordos com outros países, falhas no combate ao desmatamento, barreiras ao etanol americano, problemas de propriedade intelectual e deficiências anticorrupção. Apesar da proposta, há uma ampla lista de exceções para produtos estratégicos como café, carnes, frutas, fertilizantes, medicamentos, aeronaves e minerais. O governo americano prevê concluir as consultas e decidir até 15 de julho.



