A eleição presidencial de outubro já está contribuindo para uma maior volatilidade tanto nas ações quanto no câmbio, aponta a equipe de estratégia da XP em relatório sobre perspectivas para o mês de julho.
Padrão histórico e volatilidade recente
Historicamente, conforme apontam Fernando Ferreira e equipe, estrategistas que assinam o relatório, a volatilidade das ações tende a subir nos seis meses que antecedem as eleições presidenciais, antes de se normalizar gradualmente após a votação. Como as eleições ocorrem em outubro, o “trade eleitoral” normalmente começa por volta de maio, um padrão bastante consistente com o que foi observado até agora.
Depois de um início de ano relativamente calmo, a volatilidade aumentou de forma mais rápida e intensa do que esperavam inicialmente, em meio ao noticiário em torno do principal candidato de oposição, Flávio Bolsonaro. Contudo, houve queda na volatilidade nos últimos dias, já voltando a níveis amplamente em linha com os observados em ciclos eleitorais anteriores.
Foco na trajetória fiscal
No entanto, apontam os estrategistas, principal variável que os mercados devem monitorar ao longo do ciclo eleitoral é a sinalização em torno da trajetória fiscal do Brasil. A relação dívida/PIB do país atualmente cresce cerca de 3-4 pontos percentuais (p.p.) por ano e caminha para se aproximar de 100% nos próximos anos. Para Ferreira e equipe, essa deterioração fiscal é a principal razão pela qual os investidores seguem exigindo juros reais muito elevados para carregar títulos públicos brasileiros (inflação + 7,5%).
Como resultado, os estrategistas veem como difícil vislumbrar uma alta sustentada das ações brasileiras no médio e no longo prazo sem uma melhora crível da perspectiva fiscal a partir de 2027, independentemente de quem vença a eleição presidencial.
Impacto nos juros e no Ibovespa
Em análise de sensibilidade, os estrategistas da casa apontam que cada queda de 100 bps (pontos-base, ou queda de 1 ponto percentual) nos juros reais de 10 anos implicaria um potencial de alta de cerca de 9,0% para o Ibovespa.
Por outro lado, caso as preocupações fiscais se intensifiquem no 2º semestre, a XP destaca uma cesta de ações para o cenário de “deterioração fiscal”, que oferece uma forma atrativa de posicionamento. A cesta combina ações com beta baixo em relação ao Ibovespa, sensibilidade positiva à depreciação do real e baixa alavancagem financeira, que conta com as ações da Aura Minerals (BDR: AURA33), Embraer (EMBJ3), Gerdau (GGBR4), PRIO (PRIO3) e Irani (RANI3).



