Dossiê de Flávio Bolsonaro a Trump amplia desgaste entre eleitores pendulares
Dossiê de Flávio a Trump amplia desgaste entre eleitores

O envio de um dossiê por Flávio Bolsonaro ao governo Trump, solicitando a suspensão de tarifas sobre produtos brasileiros, gerou desgaste entre eleitores pendulares e favoreceu o ex-presidente Lula, segundo pesquisa do Instituto Democracia em Xeque. O documento, que também mencionava o sistema de pagamentos Pix, foi interpretado por esse grupo de eleitores como uma preocupação eleitoral, e não econômica.

Reação dos eleitores pendulares

A pesquisa, realizada entre os dias 1º e 5 de julho de 2026, ouviu 2.000 eleitores em todo o Brasil. Entre os eleitores pendulares – aqueles que oscilam entre candidatos e são decisivos em eleições acirradas –, 62% consideraram a atitude de Flávio Bolsonaro como subserviente aos Estados Unidos. Apenas 28% aprovaram a iniciativa, enquanto 10% não souberam opinar.

Segundo o levantamento, a menção ao Pix no dossiê foi particularmente mal recebida. Para 54% dos entrevistados, o uso do sistema de pagamentos como argumento para pedir isenção de tarifas foi visto como uma tentativa de barganha que prejudica a imagem do Brasil. "O eleitor pendular vê isso como uma jogada política, não como defesa dos interesses nacionais", afirmou o diretor do Instituto Democracia em Xeque, Carlos Mendes.

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Crescimento de Lula entre os indecisos

O desgaste de Flávio Bolsonaro refletiu-se na intenção de voto. Entre os eleitores pendulares, Lula subiu de 35% para 42% nas intenções de voto espontâneo, enquanto Flávio caiu de 38% para 31%. No cenário estimulado, Lula aparece com 45% contra 37% de Flávio, com 18% de indecisos ou votos em outros candidatos.

A pesquisa também mostrou que 70% dos eleitores pendulares consideram importante que o próximo presidente defenda os interesses nacionais acima de alinhamentos internacionais. "O dossiê foi percebido como uma tentativa de agradar Trump em vez de proteger a economia brasileira", explicou Mendes.

Impacto nas redes sociais e entre aliados

Nas redes sociais, a hashtag #DossieDaSubserviência ficou entre os trending topics do X (antigo Twitter) por mais de 12 horas. Aliados de Flávio tentaram minimizar o impacto, afirmando que a iniciativa era necessária para evitar prejuízos ao agronegócio brasileiro. No entanto, a pesquisa indica que o argumento não convenceu os eleitores pendulares.

Entre os eleitores que declararam voto em Flávio em 2022, 22% disseram que o dossiê os fez repensar o apoio. Desses, 15% afirmaram que podem migrar para Lula ou anular o voto.

Contexto das tarifas e do Pix

O dossiê foi enviado em junho de 2026, em meio a negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos sobre tarifas impostas por Trump a produtos como aço e alumínio. Flávio Bolsonaro argumentou que a taxação prejudicava empresas brasileiras e que o Brasil poderia oferecer vantagens no sistema de pagamentos Pix como contrapartida. A proposta, no entanto, foi criticada por especialistas em comércio exterior como inadequada.

O governo brasileiro, por meio do Ministério das Relações Exteriores, afirmou não ter sido consultado sobre o envio do dossiê. A oposição classificou a ação como "diplomacia paralela" e pediu explicações ao Congresso.

Próximos passos da campanha

Flávio Bolsonaro ainda não se pronunciou oficialmente sobre a pesquisa. Sua assessoria informou que ele manterá a agenda de viagens pelo Nordeste na próxima semana, tentando reverter o desgaste. Já a campanha de Lula comemorou os números, mas evitou ataques diretos, focando em propostas de geração de emprego e renda.

O Instituto Democracia em Xeque pretende divulgar nova rodada da pesquisa em agosto, que poderá confirmar ou reverter a tendência observada.

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