Caso Master: segunda recusa
Conforme noticiado, a Polícia Federal (PF) rejeitou a segunda proposta de delação premiada do banqueiro Daniel Vorcaro. O motivo foi que as informações apresentadas não traziam novidades diante das provas já colhidas na investigação, como o conteúdo de um de seus oito celulares apreendidos. Foi considerado que Vorcaro continua agindo para proteger aliados ao fazer uma delação seletiva. Segundo a revista Veja, a delação tem uma grave acusação de pagamento de propina em conta no exterior a ninguém menos que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Diante da recusa da PF, fica claro que o nome de Alcolumbre ainda é pouco perto do que pode ser revelado pelo golpista do liquidado Banco Master. A ver os nomes que citará numa terceira proposta de delação.
Vaivém
Afinal, o que Daniel Vorcaro pretende com este vaivém de delação premiada? Robert Haller, São Paulo
Blefe
Pelo jeito, o ex-banqueiro não está delatando, está blefando. Ou seja, se o blefe inicial não funcionar, ele joga mais umas fichas na mesa e vai empurrando com a barriga. Sabe-se lá o tempo que ele precisa para terminar de esconder o dinheiro roubado. Sou da opinião de que a lei só poderia aceitar uma única proposta de delação. Não delatou, danou-se. Aldo Bertolucci, São Paulo
Fim da escala 6x1: debate no Senado
O Senado Federal acerta ao tratar com prudência a proposta de redução da jornada de trabalho. A matéria, já aprovada na Câmara, prevê o fim da jornada de trabalho 6x1 e a diminuição da carga semanal de 44 horas para 40 ou até 36 horas, sem redução salarial. Embora a ideia pareça atraente, seus efeitos precisam ser avaliados com responsabilidade. Empregadores alertam que a mudança poderá elevar custos, pressionando pequenas empresas, bares, restaurantes e o agronegócio. Em setores que já operam no limite, o resultado pode ser o fechamento de estabelecimentos, demissões, alta de preços e perda de competitividade. O Senado deve examinar a matéria sem pressa e sem ceder a interesses eleitorais. Segundo especialistas, aprovar ou rejeitar a proposta sem amplo debate pode gerar consequências graves, como inflação, desemprego e queda da produção. A discussão também poderia abrir espaço para outro tema relevante: o excesso de feriados prolongados, que afetam a produtividade. É desejável que o trabalhador seja valorizado e receba remuneração justa, mas isso só será sustentável se as fontes geradoras de emprego e renda forem preservadas. Salários, preços e produção estão ligados. Quando a lei rompe esse equilíbrio, prejuízos recaem sobre toda a sociedade. Espera-se que o Senado conduza o debate com serenidade, responsabilidade e visão de longo prazo. Dirceu Cardoso Gonçalves, São Paulo
Extradição: inquisidor-mor
A rejeição da Corte de Cassação da Itália à extradição de Carla Zambelli expõe a fratura institucional da nossa Suprema Corte. O Judiciário italiano não apenas negou o pedido. Ele deixou claro que a atuação de Alexandre de Moraes revive a figura do inquisidor-mor da Idade Média. Em pleno século 21, Brasília tenta normalizar o completo absurdo de um mesmo magistrado concentrar as funções de vítima, investigador e julgador, esquecendo que o devido processo legal não se curva ao absolutismo de toga. Afonso Gallo Casanova, Rio Claro
‘Dupla veste’
Em qualquer Estado de Direito, a imparcialidade do julgador constitui um dos pilares da Justiça. A decisão da Corte de Cassação italiana que anulou a extradição de Carla Zambelli trouxe para o cenário internacional questionamentos sobre a atuação de Alexandre de Moraes. A Justiça estrangeira afirmou existirem “múltiplos elementos capazes de fazer duvidar da imparcialidade, sob o aspecto objetivo, do tribunal que proferiu a condenação da recorrente.” Segundo a Corte, isso decorreria da “dupla veste” assumida por Moraes, que atuou simultaneamente como integrante do colegiado julgador e como pessoa diretamente afetada por um dos crimes imputados à parlamentar. Longe de mim defender Zambelli. Contudo, não se pode ignorar os vícios processuais apontados pela Justiça italiana, relacionados às garantias de imparcialidade e ao devido processo legal. Deri Lemos Maia, Araçatuba
Pautas-bomba
Lula e o PT estão sempre na vanguarda da esperteza para ganhar eleições, pois essa é a única meta e obsessão. Criticam o Senado em relação às chamadas pautas-bomba, e eu pergunto a eles sobre a série de pacotes de bondades. Ou seja: eu tudo posso, até estourar o Orçamento; os outros, mesmo quando tratam de pautas vitais, como as do agronegócio, só podem avançar se o mestre Lula autorizar. Esse é o verdadeiro Brasil. Antonio Jose Gomes Marques, São Paulo
Poder Judiciário
Tem razão a Justiça italiana ao apontar a parcialidade da Justiça brasileira no julgamento de Carla Zambelli. O Brasil deixou de ter um Supremo Tribunal Federal (STF). O que existe é um tribunal político, formalmente dividido em duas turmas: nós e eles. Todas as decisões do STF são parciais e políticas. A falência da Justiça brasileira aconteceu porque não há respeito à Constituição. Não existe a independência entre os Poderes, claramente expressa na Carta. A partir do momento em que o presidente da República escolhe os ministros do STF e o procurador-geral da República, o Poder Judiciário se torna um mero apêndice do Poder Executivo e ainda é submetido aos caprichos do Poder Legislativo, que submete os juízes a vexatórias sabatinas e tem o poder de vetar nomes, como ocorreu recentemente. A República cairia de podre com um Poder Judiciário independente. Seria algo como o que está acontecendo com o governador interino do Rio de Janeiro: sem rabo preso com os partidos políticos, está desmantelando as organizações criminosas instaladas no poder. Mário Barilá Filho, São Paulo
Ciro Nogueira
Investigado no caso Master, Ciro Nogueira vai representar o Brasil em evento da ONU (Estadão, 11/6). Pelas denúncias contra o senador Ciro Nogueira (PP-PI), ele não só deveria se afastar de missões oficiais do Senado, como também do cargo político que ocupa. Mas, claro, dá para entender o porquê da autorização dada pelo presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União-AP). Luiz Frid, São Paulo
Delação premiada
A Polícia Federal rejeitou a delação de Daniel Vorcaro. Nada foi divulgado, mas tenho certeza absoluta de que não foi uma delação. Foi uma declaração de amor a seus protetores e comparsas. E são muitos, ainda não divulgados. Há membros da esquerda, provavelmente a maioria, da direita, do centro e integrantes importantes dos Três Poderes. Está nas mãos desse banqueiro o futuro do País: continuar na lama ou dar um passo à frente, extirpando da vida pública essas figurinhas carimbadas que, há décadas, exercem com louvor suas atividades deletérias. Paulo Henrique Coimbra de Oliveira, Rio de Janeiro
Maioridade penal
Sempre o Brasil vai pelo caminho fácil e errado para resolver problemas complexos, como reduzir a maioridade penal ou, quando algum tipo de crime aumenta, simplesmente aumentar a pena para esse crime. Como disse o jornalista H. L. Mencken: “Para todo problema complexo existe uma solução simples, elegante e completamente errada.” Vital Romaneli Penha, Jacareí
Taxa de juros
Com a inflação prevista para este ano em 5,11%, bem acima do teto da meta de 4,5%, a atividade econômica se acelerando e o cenário externo conturbado, o mercado está de olho na próxima reunião do Copom, que deve ocorrer nos dias 16 e 17 de junho. Para a reunião, 68% dos agentes acreditam que a taxa Selic deve permanecer congelada nos atuais 14,5%, enquanto 33% preveem queda de 0,25 ponto porcentual, fixando-a em 14,25%. Mas, sem perspectiva de queda nas taxas de juros para empresas e consumidores finais, e com o nível de inadimplência batendo sucessivos recordes, infelizmente, o quadro deve piorar. Paulo Panossian, São Carlos
Crise dos Correios
Os alertas estavam lá. Auditores independentes, Controladoria-Geral da União (CGU) e Tribunal de Contas da União (TCU) apontavam fragilidades nos Correios desde 2017. A deterioração financeira era conhecida, mas pouco foi feito além de relatórios, recomendações e avisos que, pelo visto, não saíram do papel. Agora, diante da necessidade de empréstimos bilionários e da possibilidade de novos aportes da União, surge a pergunta: de que serve detectar o problema se ninguém o corrige? Os Correios tornaram-se um retrato do custo da omissão. O gestor não resolveu, os órgãos de controle alertaram sem resultados práticos e o prejuízo continuou crescendo. Enquanto isso, a empresa perdeu competitividade e o contribuinte permaneceu como financiador de última instância. No Brasil, o problema raramente é a falta de diagnóstico. O problema é que o contribuinte acaba pagando por tratamentos que deveriam ter começado antes. Nos Correios, faltou gestão e faltou fazer o alerta produzir consequências. Izabel Avallone, São Paulo
Vilão perfeito
A narrativa antibets no Brasil tem elementos legítimos de preocupação social. Mas foi capturada por uma coalizão de interesses que a usa instrumentalmente: o governo, para mobilizar eleitorado e justificar tributação; setores econômicos tradicionais, para explicar seus próprios problemas estruturais; e parlamentares, para aparecer como protetores da família brasileira às vésperas das urnas. A fala do presidente da Gol, Celso Ferrer, aplaudida em um seminário de turismo, é um exemplo dessa segunda categoria. Uma empresa que entrou em recuperação judicial por dívida em dólar, frota imobilizada e gestão financeira questionável não tem nas bets seu problema central, e certamente sabe disso. A retórica funciona como preparação de terreno para um pedido de desoneração, embrulhado em uma linguagem de defesa do consumidor de baixa renda. A “década perdida” da aviação que Ferrer descreve vai de 2010 a 2020. As apostas esportivas online só ganharam escala real no Brasil a partir de 2022 e 2023. A conta não fecha. A estagnação do setor tem causas bem documentadas e anteriores, como a crise econômica de 2014, a carga tributária abusiva sobre passagens, a infraestrutura concentrada e a gestão financeira questionável das próprias companhias. Não por acaso, a fala termina com um pedido de desoneração fiscal. As bets funcionam, no discurso, como prólogo retórico para uma demanda política. O problema é que esse movimento não é isolado. Governo, parlamentares, entidades do comércio e artistas formaram uma coalizão antibets numerosa e barulhenta. Claro, legítima em parte, mas capturada por interesses que encontraram em um inimigo comum, e facilmente demonizável, a explicação para problemas que têm origens bem mais antigas e incômodas. Em ano eleitoral, o vilão perfeito raramente é o verdadeiro culpado. É o mais conveniente. Arpeggio Priori, São Paulo
Jornada de trabalho
Tenho acompanhado, com certa preocupação, essa discussão sobre a redução das horas semanais trabalhadas. Na minha opinião, esses posicionamentos, tanto do Executivo quanto do Legislativo, estão repletos de demagogia e, por que não dizer, irresponsabilidade. Assim como as nossas autoridades apregoam, parece-nos que essas quatro horas de trabalho vão simplesmente sumir, sem quaisquer prejuízos para os trabalhadores e para os empregadores. Dessa forma, entende-se que as atuais jornadas de trabalho poderiam sofrer um acréscimo diário de uma hora, sem quaisquer problemas para empregados e empregadores. Por outro lado, se esse eventual acréscimo de meia hora nas demais jornadas de trabalho dos dias restantes for impraticável, resta, como única saída, o aumento do preço do produto final da empresa, o que me parece bastante inconveniente e arriscado. Luiz Antônio Alves de Souza, São Paulo
Magia da Copa
A magia da Copa passa pela cozinha. Lá se prepara o caldeirão de emoções, tristezas misturadas com alegrias, e a família se une para desfrutar os sabores da bola rolando. Na sala, há a disputa pelo melhor lugar para ver a seleção. Uns vestidos de verde e amarelo, outros, acanhados, ficam no canto rezando. O País, esquecendo suas mazelas, vai se vestir de esperança. Torcer é ato cívico, com o futebol fazendo o povo vibrar nos 90 minutos mágicos. Um Brasil de união aparece na magia da Copa do Mundo, e assim vamos tentar ser o melhor do mundo, pelo menos no futebol. Roberto Solano, Rio de Janeiro
Seleção Brasileira
A Copa chegou. Haja coração. Vamos todos torcer para que o Brasil seja campeão. Este é o nosso mundial. Vem, hexa. Avante, seleção brasileira! José Ribamar Pinheiro Filho, Brasília



