A campanha do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) intensificou nos últimos dias a interlocução com representantes do mercado financeiro, em uma tentativa de reduzir a desconfiança e apresentar propostas econômicas consideradas mais moderadas. A estratégia inclui reuniões com banqueiros, gestores de fundos e economistas de bancos, tanto no Brasil quanto no exterior.
Reuniões com banqueiros e investidores
Nos últimos 15 dias, integrantes da equipe econômica da campanha, como o ex-ministro Guido Mantega e o economista Nelson Barbosa, realizaram encontros com dirigentes de grandes bancos, como Itaú Unibanco, Bradesco e Santander, além de representantes de fundos de investimento internacionais. O objetivo é detalhar as propostas fiscais e monetárias do programa de governo, que prevê responsabilidade fiscal, mas com maior atuação do Estado na economia.
Segundo fontes da campanha, Lula participou de duas dessas reuniões por videoconferência, reforçando o compromisso com o equilíbrio das contas públicas. “O ex-presidente deixou claro que não haverá ruptura institucional e que a âncora fiscal será mantida, mas com ajustes para garantir investimentos sociais”, afirmou um dos participantes, sob condição de anonimato.
Sinalização de moderação
A iniciativa ocorre em meio à volatilidade do câmbio e dos juros futuros, que reagem a declarações de Lula sobre a independência do Banco Central e críticas ao teto de gastos. Em eventos recentes, o petista afirmou que é preciso “revisar” o teto, mas sem descartá-lo por completo. A equipe de campanha tem reforçado que o candidato não pretende estatizar a economia ou promover calotes.
“O mercado precisa entender que Lula aprendeu com os erros do passado e que seu governo será de diálogo e respeito às instituições”, disse o coordenador do programa de governo, Aloizio Mercadante, em entrevista a jornalistas. Ele destacou que a equipe econômica conta com nomes como Persio Arida e André Lara Resende, que têm credibilidade no setor financeiro.
Impacto nas pesquisas e no mercado
Pesquisas eleitorais recentes mostram Lula na liderança das intenções de voto, o que aumenta a preocupação do mercado com possíveis mudanças na política econômica. O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse em evento que a instituição está atenta às propostas dos candidatos e que a credibilidade fiscal é essencial para a queda dos juros.
O economista-chefe de um banco estrangeiro, que participou de uma das reuniões, avaliou que a campanha de Lula tem sido “eficiente” em acalmar os ânimos, mas que ainda há ceticismo. “Eles falam em responsabilidade, mas os detalhes fiscais são vagos. Precisamos de propostas concretas”, afirmou.
Próximos passos
A campanha planeja novos encontros com investidores em São Paulo e no Rio de Janeiro, além de uma viagem de Mantega a Nova York para reuniões com fundos soberanos. Lula também deve participar de um seminário com empresários na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) nas próximas semanas.
Segundo Mercadante, o programa de governo será lançado oficialmente em agosto, com detalhamento das propostas. “Vamos apresentar um plano consistente, que combine crescimento econômico com inclusão social e responsabilidade fiscal”, concluiu.



