Campanha de Lula liga tarifas dos EUA à família Bolsonaro
Campanha de Lula liga tarifas dos EUA aos Bolsonaro

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição em 2026 adotou uma nova estratégia de comunicação: orientar a militância a relacionar o aumento das tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros diretamente à família Bolsonaro. A diretriz foi repassada a coordenadores regionais e líderes de movimentos sociais em reuniões realizadas na última semana, segundo fontes da cúpula petista.

Estratégia de associação

De acordo com integrantes do comitê de campanha, a ideia é vincular o chamado “tarifaço” americano ao ex-presidente Jair Bolsonaro e seus filhos, especialmente o senador Flávio Bolsonaro e o deputado Eduardo Bolsonaro, que mantêm relações com políticos conservadores nos EUA. A campanha quer explorar a percepção de que a família teria influenciado a decisão do governo norte-americano de elevar as tarifas sobre o aço, o alumínio e o etanol brasileiros.

“A população precisa entender que o Bolsonaro e sua turma são os responsáveis por essa medida que prejudica o trabalhador brasileiro. Eles têm ligação com a extrema direita americana e estão por trás desse tarifaço”, afirmou um dos coordenadores da campanha, sob condição de anonimato. A orientação inclui o uso de hashtags e a produção de conteúdos para redes sociais que liguem a imagem de Bolsonaro a bandeiras dos EUA e gráficos de aumento de preços.

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Contexto das tarifas

Em maio de 2026, o governo dos Estados Unidos anunciou a elevação das tarifas de importação para diversos produtos brasileiros, incluindo uma taxa adicional de 25% sobre o aço e 10% sobre o etanol. A medida foi justificada por Washington como uma resposta a práticas comerciais consideradas desleais, mas gerou forte reação no Brasil, especialmente entre setores industriais e agrícolas. O Ministério da Economia estima que as exportações brasileiras podem perder até US$ 3,2 bilhões por ano com as novas barreiras.

Até o momento, não há evidências públicas de que a família Bolsonaro tenha participado diretamente da decisão americana. No entanto, a campanha de Lula aposta em associações indiretas, como as visitas de Eduardo Bolsonaro a políticos republicanos e a defesa pública do ex-presidente por alinhamento ideológico com Donald Trump, que mantém influência sobre setores protecionistas nos EUA.

Reações da oposição

A estratégia foi criticada por aliados de Bolsonaro. O senador Flávio Bolsonaro classificou a manobra como “baixaria eleitoral” e disse que Lula tenta “desviar o foco do próprio fracasso econômico”. Já o deputado Eduardo Bolsonaro afirmou que “o governo Lula é que não consegue defender os interesses nacionais e quer culpar a oposição”.

Pesquisas internas da campanha petista indicam que a associação pode ter efeito em eleitores indecisos, especialmente no Nordeste, onde a imagem de Bolsonaro é mais rejeitada. Um levantamento do Datafolha de junho mostrou que 58% dos brasileiros consideram as tarifas americanas prejudiciais ao país, e 45% acreditam que o governo brasileiro deveria retaliar.

Impacto na corrida eleitoral

Com a proximidade das eleições de outubro, a campanha de Lula intensifica o uso de temas econômicos para desgastar a oposição. O tarifaço americano tornou-se um dos principais eixos da propaganda eleitoral, ao lado da inflação e do emprego. A orientação de associar o tema à família Bolsonaro reflete a tentativa de personalizar o debate e mobilizar a base petista.

Especialistas em comunicação política avaliam que a estratégia pode ser eficaz a curto prazo, mas corre o risco de ser considerada um exagero se não houver provas concretas. “Vincular uma política comercial americana a uma família específica é uma aposta arriscada. Pode funcionar se a narrativa for bem construída, mas também pode gerar rejeição se for vista como fake news”, analisa a cientista política Maria Silva, da Universidade de Brasília.

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