O júri popular dos irmãos Pedro Emanuel D'onofre Andrade e Otto Samuel D'onofre Andrade, acusados pelo homicídio do bicheiro Fernando Iggnácio, teve início por volta das 12h desta quarta-feira (19) no 1º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro. Em depoimento, o delegado Moysés Santana, titular da Delegacia de Homicídios na época do crime, afirmou que Pedro Emanuel realizou um voo de helicóptero para reconhecimento do local três dias antes do assassinato.
Voo de reconhecimento e provas contra os irmãos
Segundo as investigações, no dia 7 de novembro de 2020, Pedro Emanuel esteve na empresa Heli-Rio, no Recreio dos Bandeirantes, e fez um voo panorâmico acompanhado de uma mulher. A rota percorrida foi exatamente a mesma que Fernando Iggnácio faria três dias depois: de Ilha Grande, onde tinha uma casa de veraneio, até o Rio de Janeiro. "Me recordo do Pedro ter ido fazer esse reconhecimento antes", declarou o delegado Moysés Santana, primeira testemunha ouvida no júri.
Durante o processo, o coordenador de voo da Heli-Rio e uma atendente afirmaram à Justiça que Pedro e Ygor Rodrigues, conhecido como Farofa, estiveram no local. Pedro pagou a viagem panorâmica em dinheiro, no valor entre R$ 1,3 mil e R$ 1,5 mil. Um dos depoimentos indica que Pedro passou pelo estacionamento onde o carro de Fernando Iggnácio já estava estacionado, aguardando seu retorno. Na conta de nuvem digital de Pedro, a Polícia Civil encontrou imagens do voo, confirmando que uma das fotos tinha data de 7 de novembro de 2020.
Investigação de sete dias e identificação dos autores
O delegado Moysés Santana detalhou o início da investigação que levou às prisões de Pedro, Otto, Rodrigo Silva das Neves (condenado em abril) e Ygor Rodrigues (morto em 2022). Foram sete dias ininterruptos de análise de imagens para identificar o veículo utilizado no crime e seus ocupantes. "Foram quase 45 quilômetros de deslocamento do veículo captando imagens de câmeras que, no sétimo dia, nos permitiu chegar ao destino final dos autores, em um condomínio em Campo Grande, onde os autores desembarcam do veículo, logo após o crime, e deixam o prédio", explicou o delegado.
Rodrigo Silva das Neves, ex-policial militar, foi o primeiro identificado pela Delegacia de Homicídios da Capital e preso na Bahia em janeiro de 2020. Posteriormente, a polícia chegou a Pedro, Otto, Ygor e Márcio Araújo, chefe de segurança de Rogério Andrade, que responde pelo crime em outro processo.
Júri desmembrado e defesa dos irmãos
O julgamento dos irmãos foi desmembrado. Inicialmente, eles seriam julgados junto com Rodrigo Silva das Neves, condenado a 32 anos, 9 meses e 18 dias de prisão em abril deste ano. A defesa dos irmãos passou por mudanças: eles destituíram o advogado Flavio Fernandes, mas posteriormente o reintegraram. O advogado também pediu um incidente de insanidade mental para Pedro, negado pela Justiça.
Provas do Ministério Público
Segundo o Ministério Público, a participação de Pedro e Otto foi confirmada por imagens de câmeras de segurança, dados telefônicos e de localização. Pedro fez o voo de reconhecimento para calcular o trajeto e o tempo exato para a vítima sair do helicóptero, pegar o carrinho de golfe e chegar ao carro. No celular de Pedro, foram encontradas imagens desse voo. Já Otto apresentou um atestado falso na Polícia Militar de São Paulo para estar no Rio na época do crime, e a antena de seu telefone coincidia com a localização do carro Fox usado na fuga para Campo Grande.
Relembre o crime
Fernando Iggnácio, genro e herdeiro do contraventor Castor de Andrade, foi executado em 10 de novembro de 2020 no Recreio dos Bandeirantes. Ele desembarcou de um helicóptero vindo de Angra dos Reis e foi alvejado ao caminhar até o carro, com tiros de fuzis calibre 7.62. Os criminosos esperaram cerca de quatro horas, escondidos em área de mato alto, usando roupas camufladas. A morte foi encomendada por Rogério Andrade, sobrinho de Castor e apontado como o maior bicheiro do Rio. Rogério foi preso em outubro de 2024 e transferido para o Presídio Federal de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. O STF negou pedidos de liberdade da defesa.



