O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), voltou a criticar a convenção do Partido Liberal (PL) ocorrida na última semana, classificando o tom das discussões como 'nível rasteiro de agressões'. A declaração foi feita durante entrevista coletiva nesta terça-feira, 29 de julho.
Caiado condena ataques pessoais
Segundo Caiado, 'a política brasileira precisa de respeito e propostas, não de ofensas pessoais'. Ele destacou que a convenção do PL foi marcada por ataques a adversários, o que considera prejudicial ao debate democrático. O governador afirmou que 'os eleitores estão cansados desse tipo de comportamento'.
Dados de pesquisa recente, segundo o instituto Datafolha, indicam que 62% dos eleitores rejeitam ataques pessoais durante campanhas eleitorais. Caiado citou esses números para justificar sua posição: 'Não podemos permitir que a política se torne um ringue de agressões'.
Contexto da crítica
Esta não é a primeira vez que Caiado se manifesta contra o tom da convenção do PL. No início do mês, ele já havia criticado discursos considerados agressivos. A convenção, que reuniu lideranças do partido para definir estratégias para as eleições de 2026, foi palco de embates entre diferentes alas.
O governador também mencionou a necessidade de se focar em propostas para o desenvolvimento do país. 'Enquanto uns perdem tempo com ataques, o Brasil precisa de soluções para saúde, educação e economia', declarou.
Reações do PL
Até o momento, o PL não se pronunciou oficialmente sobre as críticas de Caiado. Aliados do partido, em conversas reservadas, afirmam que a convenção seguiu o regimento interno e que houve espaço para todos os pontos de vista. No entanto, reconhecem que alguns discursos foram mais calorosos.
Deputados federais do PL avaliaram que as críticas de Caiado podem ter motivação eleitoral, já que o governador é cogitado como candidato à presidência em 2026. 'Ele quer se posicionar como um político moderado', avaliou um parlamentar sob condição de anonimato.
Impacto nas alianças
A troca de farpas entre Caiado e o PL pode dificultar futuras alianças. O União Brasil, partido do governador, tem buscado aproximação com outras legendas para formar uma frente ampla. A agressividade na convenção do PL afasta potenciais parceiros, na avaliação de analistas políticos.
Para o cientista político Carlos Melo, da USP, 'o discurso de Caiado é calculado para atrair o eleitor moderado, que rejeita radicalismos'. Ele lembra que em 2022, a polarização beneficiou candidatos mais ao centro.
Números da rejeição
Além da pesquisa Datafolha, levantamento do IPEC mostra que 65% dos brasileiros consideram importante que candidatos evitem agressões pessoais. Esses números reforçam a estratégia de Caiado de se apresentar como alternativa ao que ele chama de 'nível rasteiro' do debate.
O governador finalizou a entrevista convocando outros líderes políticos a adotarem um tom mais elevado: 'Que as próximas convenções sejam de propostas, e não de agressões'.



