O ex-governador de Goiás e pré-candidato à Presidência, Ronaldo Caiado (PSD), criticou nesta quinta-feira (16) o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) após a decisão dos Estados Unidos de impor uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, anunciada na quarta-feira (15). A medida, confirmada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), entra em vigor em 22 de julho e inclui uma extensa lista de itens isentos.
Impacto do tarifaço sobre a economia brasileira
Em publicação nas redes sociais, Caiado alertou que setores inteiros podem quebrar com a sobretaxa. "O que está em jogo por trás do tarifaço dos EUA é que setores inteiros podem quebrar. Não é conversa fiada. É a conta mesmo que não fecha, com 25% a mais de tarifa, que pode chegar a 37,5% somada a outras sobretaxas em análise, indústria, agro e serviços digitais brasileiros perdem competitividade da noite pro dia. Fábrica fechada é gente na rua. Produtor endividado é cidade inteira sufocada", escreveu.
O ex-governador também criticou a polarização política: "O mais triste, Lula não tem capacidade para dialogar e o outro candidato está preocupado com a eleição, não com o Brasil. A polarização está saindo muito cara para as famílias e para o país".
Caiado ataca Flávio Bolsonaro e defende reciprocidade
Na quarta-feira (15), Caiado já havia publicado outra mensagem com críticas mais duras a Flávio Bolsonaro, que viajou aos EUA para participar de audiência pública sobre o tarifaço e pediu adiamento das medidas até as eleições. "Flávio foi aos EUA implorar a Trump que adie o tarifaço até depois da eleição. Não pediu para cancelar, pediu para adiar. Para ele, o agro pode quebrar, desde que depois do voto", afirmou.
Caiado defendeu a adoção da Lei da Reciprocidade Econômica: "Minha proposta é reciprocidade de verdade. Mercado aberto dos dois lados, não vassalagem. O Brasil tem o que o mundo precisa: comida, energia limpa, minerais estratégicos. Chega de negociar de joelhos".
Governo Lula reage e critica decisão dos EUA
O governo brasileiro classificou a decisão como um "marco lastimável" na relação bilateral. Em nota, o Palácio do Planalto repudiou a medida e afirmou que vai acionar a lei da reciprocidade. "Não há justificativa para medidas unilaterais contra o nosso país. Segundo estatísticas do próprio governo norte-americano, os EUA acumularam nos últimos 15 anos US$ 424,5 bilhões em superávit de bens e serviços com o Brasil", diz o texto.
A nota também defende que as críticas ao PIX, à regulação de plataformas digitais e ao desmatamento são "descabidas" e "absurdas". O governo argumenta que atuou ininterruptamente junto ao USTR para encerrar as investigações baseadas na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.
Rubio acusa Lula de falta de diálogo
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, defendeu as tarifas e acusou Lula de não negociar de boa-fé. "No último ano, Lula colocou seu próprio ego acima da realização de um acordo em prol do bem-estar do povo brasileiro, e essas tarifas são o preço a pagar por isso", escreveu Rubio. O secretário mantém relações com a família Bolsonaro desde 2018 e recebeu os filhos do ex-presidente nos EUA no mês passado.
O governo brasileiro vê viés político na decisão, mas o USTR rejeita essa interpretação. Uma autoridade do órgão afirmou em coletiva que a sobretaxa não foi motivada por divergências políticas com o governo Lula.



