Em artigo publicado no Estadão, o jornalista e cientista político Carlos Alberto Di Franco alerta para o que chama de "temporada de caça aos mensageiros" no Brasil. Segundo ele, há uma crescente perseguição a jornalistas e profissionais da comunicação, que são tratados como alvos de ataques e desqualificações, em vez de terem seu trabalho respeitado como essencial para a democracia.
Contexto de ataques à imprensa
Di Franco destaca que o fenômeno não é novo, mas se intensificou nos últimos anos, com discursos que estigmatizam a imprensa e tentam desacreditar veículos e profissionais. Ele cita exemplos de agressões verbais e físicas contra jornalistas, além de ameaças nas redes sociais. O autor lembra que a liberdade de imprensa é um pilar da democracia e que atacar os mensageiros é uma forma de silenciar a crítica e o debate público.
O artigo menciona dados da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) que indicam aumento de 30% nos casos de violência contra jornalistas no Brasil em 2022, em comparação com o ano anterior. "Esses números são alarmantes e revelam um ambiente hostil para o exercício da profissão", afirma Di Franco.
Risco à democracia
Para o autor, a perseguição aos mensageiros não afeta apenas os jornalistas, mas toda a sociedade. "Quando se ataca o mensageiro, enfraquece-se o direito do cidadão à informação", escreve. Ele critica a banalização de termos como "fake news" para desqualificar reportagens incômodas e alerta para o risco de censura indireta.
Di Franco também aponta que a situação é agravada pela falta de punição aos agressores. "Enquanto os ataques ficam impunes, o clima de intimidação se espalha", diz. Ele defende medidas de proteção aos jornalistas e o fortalecimento das instituições que garantem a liberdade de expressão.
Papel da sociedade
O artigo conclui com um apelo à sociedade para que reaja contra a "caça aos mensageiros". "A defesa da liberdade de imprensa é tarefa de todos. Não podemos permitir que o medo silencie o jornalismo", finaliza Di Franco, reiterando que a informação de qualidade é fundamental para a construção de uma sociedade mais justa e democrática.



