O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou nesta quinta-feira (25) que "divergências fazem parte de qualquer ambiente" ao comentar o conflito público entre a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência. Em nota enviada à imprensa, Valdemar declarou: "Divergências fazem parte de qualquer ambiente vivo, plural e comprometido com ideias. Elas não nos enfraquecem; ao contrário, nos tornam mais maduros e mais preparados para os desafios que enfrentamos."
Vídeos de Michelle expõem crise familiar e política
Na noite de terça-feira (24), Michelle Bolsonaro publicou dois vídeos nas redes sociais relatando ter sido "maltratada e humilhada" por Flávio, filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro. A ex-primeira-dama afirmou que não se fala com o enteado desde o fim de 2025 e que a discussão envolveu a disputa pelo palanque do PL no Ceará. O partido tentou se aliar ao ex-governador Ciro Gomes (PSDB), apoio criticado por Michelle.
"Telefonei para ele, tentei algumas vezes, mas ele não atendeu. Algumas horas depois da postagem, ele retornou a ligação. Mas, sinceramente, para falar o que ele me falou, seria melhor se ele não tivesse ligado. Ele foi muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou ao telefone", disse Michelle. "Ele disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política. Diante dessa humilhação, eu disse a ele que estava tudo bem."
Nos vídeos, Michelle referiu-se a Flávio como "meu enteado" e "pré-candidato", sem usar o sobrenome Bolsonaro. A publicação expôs abertamente a divisão interna no clã Bolsonaro, que até então era mantida em privado.
Flávio pede desculpas e tenta conter danos
Após a repercussão, Flávio Bolsonaro fez uma live em suas redes sociais antes do jogo do Brasil contra a Escócia, pela Copa do Mundo de 2026, onde apareceu com a mulher e usou uma máscara do atacante Neymar. "Hoje é dia de jogo, nada nem ninguém me aborrece. Vamos tratar de coisa boa, vamos tratar de futebol", disse. Mais tarde, publicou um pedido formal de desculpas: "Em nenhum momento ofendi ou tive a intenção de ofender a Michelle. Se o fiz em algum momento, mais uma vez, peço desculpas. Tenho por ela respeito e reconhecimento pelo trabalho no PL Mulher, pelo cuidado com meu pai e por tudo o que representa para o Brasil."
Michelle pede união e nega raiva
Nesta quinta-feira (25), Michelle voltou às redes sociais e postou um story no Instagram: "Vamos todos trabalhar juntos para derrotar o atual desgoverno. Não há briga, nem competição." Ela afirmou ter apenas esclarecido uma situação que estava sendo "deturpada" e pediu que trechos de sua fala não fossem retirados de contexto.
Nota de Valdemar Costa Neto na íntegra
"Michelle e Flávio conhecem muito bem nosso presidente Bolsonaro e sabem do grande respeito que ele tem às convicções e aos pensamentos individuais, e isso se tornou um dos princípios mais valiosos do nosso partido. É essa autenticidade que nos conecta com o povo brasileiro e fortalece nossa atuação política. A liberdade para expressar o que se pensa, o que se sente e no que se acredita é a verdadeira essência da democracia. Divergências fazem parte de qualquer ambiente vivo, plural e comprometido com ideias. Elas não nos enfraquecem; ao contrário, nos tornam mais maduros e mais preparados para os desafios que enfrentamos. O mais importante é que, ao final de qualquer debate, permanecem intactos os valores e princípios que nos unem: a defesa da liberdade, o respeito às diferenças e a convicção de que cada pessoa deve ter o direito de ser exatamente quem é. Assim que falar pessoalmente com os dois, irei me manifestar publicamente, mas já adianto que admiro a coragem dos que defendem aquilo que acreditam. O PL segue focado em retirar esse governo que está aí e devolver o Brasil aos brasileiros, e nada será capaz de nos tirar desse foco."
Impacto na sucessão bolsonarista
A briga expõe a disputa pelo futuro do bolsonarismo, com Michelle e Flávio representando diferentes alas do movimento. Michelle, presidente do PL Mulher, busca maior protagonismo, enquanto Flávio é o herdeiro político escolhido por Jair Bolsonaro para a corrida presidencial de 2026. A aliança com Ciro Gomes no Ceará foi um dos pontos de atrito, revelando a dificuldade do partido em equilibrar interesses regionais e nacionais. Valdemar Costa Neto, ao minimizar o conflito, tenta evitar um racha público que possa prejudicar a candidatura de Flávio e a coesão partidária.



