O advogado e empresário de direita Abelardo de la Espriella foi declarado oficialmente o novo presidente da Colômbia nesta quinta-feira (25), após a conclusão do escrutínio, a contagem final dos votos do segundo turno realizado em 21 de junho. A confirmação veio do Registro Nacional da Colômbia, três dias após a votação.
Reconhecimento da derrota por Cepeda
Na quarta-feira (24), o candidato de esquerda Iván Cepeda reconheceu publicamente a vitória de seu adversário. “Decidi aceitar o resultado que emerge desse processo e que indica que Abelardo de la Espriella é o novo presidente da República”, declarou o senador em coletiva de imprensa. Cepeda ficou atrás de Espriella por cerca de 250 mil votos, menos de um ponto percentual, na apuração preliminar do Conselho Nacional Eleitoral (CNE).
A declaração de Cepeda reverteu sua posição anterior, na qual afirmara que só aceitaria o resultado após a apuração final. Seu partido havia chegado a pedir a impugnação de 33 mil mesas eleitorais, alegando erros técnicos. No entanto, após o escrutínio, Cepeda optou por reconhecer a derrota.
Escrutínio confirma vitória
O Registrador Nacional da Colômbia informou que a contagem final divergiu em apenas 0,003% das cédulas em relação à apuração inicial, indicando que não houve diferença significativa. Na pré-contagem, Espriella liderava com 49,6% dos votos, ante 48,7% de Cepeda, uma vantagem inferior a 1%.
O escrutínio, conduzido pelo CNE com a presença de representantes partidários e do Ministério Público, verificou inconsistências e pedidos de recontagem. Após a conclusão, Espriella foi proclamado vencedor, com 12.959.542 votos contra 12.708.712 de Cepeda.
Reações e planos de governo
Espriella celebrou a vitória vestindo a camiseta da seleção colombiana e defendeu acordos militares com os Estados Unidos para combater o crime organizado. “Hoje, a Colômbia venceu o seu jogo mais importante”, afirmou. Conhecido como “El Tigre”, o presidente eleito fez campanha com discurso antissistema e propostas linha-dura na segurança, inspiradas no governo de El Salvador de Nayib Bukele. Ele prometeu uma ofensiva militar contra grupos armados, construção de megapresídios e a retirada da Colômbia de organismos internacionais como a ONU e a OEA, que, segundo ele, promovem “políticas de esquerda”.
Líderes mundiais parabenizaram Espriella, incluindo o presidente dos EUA, Donald Trump, e o argentino Javier Milei, que comemorou: “O leão e o tigre rugem na América Latina. A liberdade avança e já não há volta atrás”.
Impacto na região
A vitória de Espriella representa uma guinada à direita na Colômbia, após o governo de Gustavo Petro, primeiro presidente de esquerda do país. Espriella se junta a outros líderes de direita eleitos recentemente na América Latina, como Jorge Kast no Chile e Rodrigo Paz na Bolívia. No Peru, a apuração ainda se arrasta, com a direitista Keiko Fujimori à frente.



