O Brasil iniciou uma investigação para aplicar a lei de reciprocidade comercial após os Estados Unidos imporem uma tarifa de 25% sobre exportações nacionais, mas analistas consideram improvável uma retaliação antes das eleições de 2026. Uma eventual vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode dificultar um acordo pacífico com os EUA.
Novas tarifas e impacto político
Além da tarifa de 25%, uma nova taxa de 12,5% instituída sob a Seção 301, relacionada ao combate ao trabalho forçado, deve entrar em vigor em 22 de julho. Segundo análise da consultoria Grupo Eurásia, as tarifas dificilmente serão decisivas para o resultado eleitoral, mas tendem a enfraquecer a imagem do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência.
Uma pesquisa Genial/Quaest divulgada em 16 de abril mostrou que 51% dos brasileiros concordam com Lula e culpam o senador pelo tarifaço. O levantamento também indica que 42% afirmaram que a decisão dos EUA impacta positivamente o interesse em votar em Lula.
Cenários pós-eleição
Caso Lula seja reeleito, o caminho para um acordo que reduza ou encerre as tarifas será difícil, devido ao amplo número de isenções já concedidas e à pouca disposição do governo em oferecer concessões significativas, destaca a consultoria. Por outro lado, uma vitória de Flávio fortaleceria o alinhamento com Washington, beneficiando um possível acordo, embora abra brecha para que o Brasil atenda a interesses dos EUA, como a negociação de minerais críticos e a eliminação de tarifas sobre o etanol.
Tensão bilateral e reciprocidade
O governo brasileiro confirmou que iniciará um processo com base na Lei de Reciprocidade Comercial, mas a retaliação formal antes das eleições é improvável devido às exigências do processo, que incluem deliberação entre órgãos e audiências públicas. Mesmo sem uma resposta mais dura, as tensões bilaterais tendem a aumentar nos próximos meses, caso Lula mantenha discurso crítico aos EUA durante a campanha.
O secretário de Estado norte-americano Marco Rubio atribuiu as tarifas à dita intransigência de Lula. Segundo a consultoria, se Lula vencer, a relação bilateral tenderá a se acomodar após as eleições, mas uma nova janela para negociações comerciais pode surgir em 2027, com incentivos políticos para que Lula e Donald Trump retomem o diálogo.



