O alerta vindo do Japão
Em um artigo de opinião publicado no Valor Econômico, o economista Kenneth Rogoff, professor da Universidade Harvard, traça um paralelo preocupante entre a situação econômica atual dos Estados Unidos e a do Japão nos anos 1990. Rogoff argumenta que os EUA correm o risco de repetir a 'década perdida' japonesa se não adotarem políticas fiscais e monetárias mais agressivas para lidar com o crescente endividamento e os riscos de deflação.
O legado da bolha japonesa
No início dos anos 1990, o Japão viu o estouro de sua bolha de ativos imobiliários e ações, levando a uma crise bancária e a um período prolongado de baixo crescimento e deflação. Rogoff destaca que, apesar das diferenças, os EUA hoje enfrentam desafios semelhantes: dívida pública elevada (acima de 100% do PIB), baixo crescimento da produtividade e pressões deflacionárias vindas da globalização e da tecnologia. 'A principal lição do Japão é que, quando a dívida atinge níveis muito altos, as ferramentas tradicionais de política econômica perdem eficácia', escreve Rogoff.
Comparações e diferenças
Rogoff ressalta que, ao contrário do Japão, os EUA têm a vantagem do dólar como moeda de reserva global, o que lhes permite financiar déficits mais facilmente. No entanto, isso pode levar a uma complacência perigosa. 'Os EUA não podem contar com o status do dólar para sempre', alerta. O economista cita dados do Fundo Monetário Internacional (FMI) que mostram que a dívida pública americana deve ultrapassar 130% do PIB até 2028, se as tendências atuais se mantiverem.
O risco da inação
O artigo adverte que a inação pode levar a um cenário de 'estagnação secular', com crescimento anêmico e inflação persistentemente baixa. Rogoff sugere que os EUA deveriam considerar um estímulo fiscal mais agressivo, especialmente em infraestrutura e educação, combinado com uma política monetária que aceite uma inflação ligeiramente acima da meta de 2% para evitar a deflação. 'O Japão esperou muito tempo para agir, e o custo foi uma geração perdida', conclui.
Impacto global
A estagnação americana teria repercussões mundiais, afetando o comércio e os mercados financeiros. Rogoff lembra que o Japão, apesar de sua crise, manteve-se como uma economia relevante, mas os EUA, por serem o centro do sistema financeiro global, causariam danos ainda maiores. 'Um colapso americano não seria apenas uma crise doméstica, mas uma catástrofe global', afirma.



