Ucrânia mata chefe da usina de Zaporizhzhia, acusa Rússia
Ucrânia mata chefe de usina nuclear, acusa Rússia

A Rússia acusou a Ucrânia de assassinar o chefe de segurança da usina nuclear de Zaporizhzhia, a maior da Europa, em um ataque a bomba na cidade ocupada de Enerhodar. Kiev negou qualquer envolvimento e classificou a acusação como uma provocação russa para justificar novas medidas repressivas.

Detalhes do ataque

O coronel Andriy Korotkyi, chefe do departamento de segurança da usina, foi morto na segunda-feira (15) quando uma bomba explodiu em seu veículo, segundo autoridades de ocupação instaladas pela Rússia. A explosão ocorreu perto de sua casa em Enerhodar, cidade que abriga a usina e está sob controle russo desde março de 2022.

As forças russas afirmam que o ataque foi uma operação de sabotagem ucraniana, visando desestabilizar a segurança da instalação nuclear. A usina de Zaporizhzhia tem sido alvo de repetidos bombardeios durante o conflito, gerando preocupações internacionais sobre um possível desastre nuclear.

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Reação de Kiev

O governo ucraniano rejeitou as acusações. Andriy Yusov, porta-voz da inteligência militar ucraniana, disse à agência Reuters: “Não temos nada a ver com isso. A Rússia está usando o incidente como pretexto para intensificar a repressão contra os ucranianos nas áreas ocupadas.”

Analistas apontam que Moscou frequentemente atribui ataques a Kiev para justificar medidas de segurança mais duras ou para desviar a atenção de suas próprias perdas no campo de batalha.

Contexto nuclear

A usina de Zaporizhzhia, com seis reatores nucleares, está desligada desde setembro de 2022, mas ainda necessita de energia externa para sistemas de refrigeração e segurança. A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) tem apelado repetidamente pela criação de uma zona de segurança em torno da usina para evitar um acidente nuclear.

O chefe da AIEA, Rafael Grossi, declarou recentemente que a situação na usina permanece “extremamente frágil” e que qualquer incidente de segurança pode ter consequências catastróficas. A morte do chefe de segurança eleva ainda mais as tensões, com ambos os lados trocando acusações sobre a segurança da instalação.

Impacto no conflito

O assassinato ocorre em meio a uma ofensiva ucraniana no sul do país, onde as forças de Kiev tentam romper as linhas defensivas russas. A região de Zaporizhzhia é um dos principais focos dos combates. Especialistas temem que a escalada de violência perto da usina possa levar a um incidente nuclear, similar ao de Chernobyl em 1986.

Até o momento, não há relatos de danos aos reatores ou vazamento de radiação. A AIEA monitora a situação e mantém equipes na usina, mas o acesso limitado e a falta de comunicação com as autoridades locais dificultam a verificação independente dos fatos.

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