O Brasil registrou em 2024 uma perda de quase 40% da água tratada antes de chegar às torneiras da população, de acordo com o Sistema Nacional de Informações em Saneamento (SNIS). O índice, embora tenha apresentado leve melhora nos últimos anos, ainda está muito acima dos 15% observados em países desenvolvidos.
Perdas elevadas e impacto regional
Os dados do SNIS indicam que as perdas de água na distribuição representam um dos maiores desafios do saneamento no país. No Nordeste, a situação é ainda mais crítica, com índices superiores à média nacional, agravando a escassez hídrica e onerando os sistemas de abastecimento.
Essas perdas geram altos custos operacionais para as companhias de saneamento, que precisam tratar e bombear volumes extras de água para compensar o desperdício. Esse custo adicional acaba sendo repassado para a conta do consumidor, impactando diretamente a população.
Metas e potencial econômico
Para enfrentar o problema, foi publicada a Portaria 788/2024, que estabelece metas progressivas de redução de perdas para os prestadores de serviços. A medida prevê incentivos e punições, com potencial de gerar economia significativa de recursos hídricos e financeiros.
Segundo especialistas, a redução das perdas para patamares próximos aos de países desenvolvidos poderia liberar bilhões de litros de água por ano, suficientes para abastecer milhões de brasileiros. Além disso, diminuiria a necessidade de novos investimentos em captação e tratamento.
Eleições e políticas de saneamento
O relatório do SNIS destaca que as eleições municipais de 2024 são cruciais para definir políticas eficazes de saneamento. A continuidade de programas de combate a perdas e a priorização de investimentos em redes de distribuição dependem da vontade política dos novos gestores.
“A população precisa cobrar dos candidatos propostas concretas para reduzir o desperdício de água. Não é aceitável que quase metade da água tratada se perca no caminho”, afirmou um analista do setor.



