Trump adia ataque ao Irã por acordo nuclear e reabertura de Ormuz
Trump adia ataque ao Irã por acordo nuclear e reabertura

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou no sábado à noite que o país vai adiar um novo ataque contra o Irã, desde que um acordo seja concluído rapidamente para interromper as ambições nucleares iranianas e reabrir o Estreito de Ormuz. A declaração foi publicada na plataforma Truth Social depois de uma conversa telefônica com o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, aliado de Washington.

Na publicação, Trump disse que o Irã e outros países do Oriente Médio pediram mais tempo para fechar um acordo que leve à reabertura “imediata, completa e total” do estreito — rota vital para o comércio global de energia — e ao “fim da ameaça nuclear iraniana”. O presidente não citou quais nações fizeram o pedido. “Com base nesse pedido, concordei, para o benefício futuro do MUNDO e, da mesma forma, para a sobrevivência de um Irã bem-sucedido e próspero, em cancelar o ataque, desde que seja possível chegar rapidamente a um ACORDO”, escreveu Trump. Ele acrescentou que Israel “une-se a mim neste compromisso”.

A escalada da guerra no Oriente Médio

A aparente desescalada ocorre após dias de ameaças de novos ataques dos dois lados e representa a mais recente reviravolta na guerra que os EUA e Israel iniciaram há cinco meses. As hostilidades se espalharam pelo Golfo Pérsico, pelo Mar Vermelho e chegaram até uma instalação no Mediterrâneo, no Egito. O Irã praticamente fechou o Estreito de Ormuz, por onde passavam cerca de 20% do petróleo e do GNL do mundo antes do conflito, o que elevou os preços da energia e alimentou a inflação global.

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Em meio à tensão, o ministro da Energia de Israel, Eli Cohen, membro do gabinete de segurança do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, afirmou que há estreita coordenação de segurança e inteligência entre Israel e os EUA sobre tudo o que acontece na região. “Com ou sem acordo, e independentemente de quaisquer compromissos externos, se o Irã tentar retomar seu programa nuclear ou avançar em sua indústria de mísseis balísticos, estaremos lá. Agiremos e atacaremos”, disse Cohen.

Encontro Trump-Netanyahu e resposta iraniana

Trump e Netanyahu se reuniram na terça-feira em Washington. Um oficial israelense afirmou à Reuters que os dois exploraram todos os caminhos possíveis para conter o programa nuclear iraniano, incluindo diplomacia, pressão econômica e força. Teerã nega buscar armas nucleares. O ministro interino da Defesa do Irã, brigadeiro-general Majid Ebn Al-Reza, disse que as recentes ameaças dos EUA são “guerra psicológica e cognitiva”, mas que o país as trata com seriedade. Segundo a agência iraniana Press TV, ele afirmou que o Irã reforçará sua preparação e dissuasão para não ser pego de surpresa nem permanecer passivo.

Na ligação com Trump, o príncipe herdeiro saudita enfatizou a “necessidade de priorizar o diálogo para reduzir as tensões” no Oriente Médio, de acordo com a agência de notícias estatal da Arábia Saudita. Um funcionário da Casa Branca confirmou à Reuters que a conversa ocorreu, sem fornecer detalhes.

Impacto no preço do petróleo

A possibilidade de acordo também repercutiu no mercado de energia. Em reunião de gabinete na sexta-feira, Trump disse acreditar que seus negociadores — incluindo o genro Jared Kushner, o enviado especial Steve Witkoff e o secretário de Estado Marco Rubio — poderiam chegar a um acordo com o Irã.

Com o fim do cessar-fogo de abril na guerra no mês passado, os preços dos contratos futuros do petróleo Brent, referência internacional, subiram 24%. Analistas consultados pela Reuters esperam que continuem a subir neste ano. Trump argumenta que o objetivo declarado de impedir que o Irã obtenha armas nucleares justifica o aumento dos custos de combustível no curto prazo, mas o impacto econômico negativo já exerce pressão política sobre ele para encerrar a guerra.

Ameaças dos houthis e incidentes no mar

As preocupações da indústria energética aumentaram também porque os aliados houthis do Irã no Iêmen começaram, nos últimos dias, a ameaçar o Estreito de Bab el-Mandeb, na extremidade oposta do Mar Vermelho em relação ao Canal de Suez — outra rota de exportação do petróleo bruto saudita.

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No sábado, a Divisão de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido informou ter recebido relatos de dois incidentes marítimos na costa de Omã. Em um deles, um projétil desconhecido atingiu um navio-tanque, danificando a casa de máquinas. No outro, o comandante de um navio-tanque relatou ter visto um grande respingo e uma explosão perto da embarcação, embora nenhum dano tenha sido registrado.