Depois de assinatura de acordo preliminar entre Estados Unidos e Irã, Israel publicou um mapa nas redes sociais mostrando a ocupação militar de suas tropas no sul do Líbano. A ação ocorre um dia após o país desafiar o pacto com um ataque ao território libanês.
Ataques e mapa militar
Nesta sexta-feira (19), Israel afirmou ter atacado "mais de 80 alvos" no Líbano e matado "dezenas" de membros do Hezbollah. O comunicado nas redes sociais foi acompanhado de um mapa que, segundo as Forças Armadas israelenses, delimita a chamada Zona de Segurança — uma faixa de cerca de 10 quilômetros dentro do Líbano que Israel deseja manter para proteger o norte do país contra ataques do grupo extremista.
"As Forças de Defesa de Israel estão posicionadas na Zona de Segurança, a cerca de 10 km dentro do território libanês, devido a requisitos operacionais. Os soldados continuarão a remover ameaças e a fortalecer a defesa dos residentes do norte de Israel", afirma o comunicado.
Acordo de paz e tensões com EUA
O acordo de paz assinado na quarta-feira (17) pelos EUA com o Irã exige o fim dos combates em todas as frentes, inclusive no Líbano, e que as partes garantam a integridade territorial e a soberania do país. No entanto, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, vem rejeitando continuamente os apelos do presidente norte-americano, Donald Trump, para retirar suas tropas do território libanês e cessar os bombardeios.
Duas autoridades israelenses, incluindo uma de alto escalão próxima a Netanyahu, que falaram à agência Reuters sob condição de anonimato, afirmaram nesta quinta-feira que Israel mantém negociações com os EUA sobre a manutenção do destacamento de suas tropas no sul do Líbano, descrevendo-as como "difíceis". Ambos disseram que Israel não recuaria da posição de que suas tropas permaneceriam mobilizadas no Líbano e criticaram o acordo firmado pelos EUA, argumentando que ele não foi longe o suficiente para abordar as preocupações israelenses em relação ao programa nuclear iraniano.
Discussão acalorada entre Trump e Netanyahu
Na semana passada, Trump admitiu pela primeira vez que teve uma discussão acalorada com Netanyahu, seu aliado de longa data. O presidente dos EUA chegou a afirmar que chamou o premiê israelense de "louco" e não escondeu sua frustração com as ações militares de Israel em Beirute, dizendo que não era necessário bombardear prédios residenciais inteiros para caçar militantes do Hezbollah. O republicano sugeriu até que a Síria passasse a lidar com o grupo extremista: "Se Israel não consegue fazer o trabalho sem matar todo mundo, a Síria deveria fazê-lo".



