Rejeição iraniana à proposta de Omã
O Irã rejeitou formalmente a proposta de Omã para estabelecer uma gestão conjunta do Estreito de Ormuz, por considerar que o plano “não tem qualquer chance de sucesso” e não atende aos interesses de Teerã. A informação foi divulgada por canais ligados à Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC, na sigla em inglês), que destacaram a posição intransigente do governo iraniano em relação ao controle dessa passagem marítima vital.
De acordo com a IRGC, uma divisão do controle do estreito em partes iguais entre Irã e Omã “não está alinhada aos interesses do Irã”, embora Teerã considere Omã “um vizinho valioso”. A mesma fonte sustenta que Estados Unidos e Arábia Saudita estariam pressionando Mascate a promover propostas classificadas pelo governo iraniano como “irrealistas” para o futuro da estratégica passagem marítima. O Estreito de Ormuz é responsável pelo trânsito de cerca de 20% do petróleo mundial, o que o torna um ponto crítico para a economia global e para a segurança energética.
Controle militar iraniano reafirmado
Em outra manifestação divulgada pela IRGC, o chefe do Estado-Maior e vice-coordenador do Exército iraniano, almirante Habibollah Sayyari, afirmou que a Marinha do país mantém “controle total” sobre a porção oriental do Estreito de Ormuz, o norte do Oceano Índico e o Mar de Omã. Segundo Sayyari, “nenhum movimento ocorre no Estreito de Ormuz sem a autorização do Irã”. O militar acrescentou que as forças do Exército e da Guarda Revolucionária permanecem “firmes” na defesa da região, pronto para responder a qualquer ameaça.
A declaração de Sayyari reforça a posição de longa data do Irã de que o estreito está sob sua soberania e que qualquer tentativa de internacionalização ou compartilhamento de controle será rejeitada. O Irã já realizou exercícios militares na região e ameaçou fechar o estreito em resposta a sanções ou pressões externas, especialmente dos Estados Unidos.
Papel de Omã como mediador
Também de acordo com a IRGC, o secretário da Comissão de Segurança Nacional do Parlamento iraniano, Ebrahim Azizi, afirmou que Omã “deve saber” que, caso os Estados Unidos intervenham, “as negociações jamais acontecerão”, em referência ao papel de mediação desempenhado por Mascate entre Teerã e Washington. Azizi deixou claro que qualquer interferência externa, especialmente dos EUA, inviabilizaria o diálogo. Omã historicamente atua como um intermediário neutro entre o Irã e o Ocidente, mas a rejeição do plano de gestão conjunta indica um endurecimento da posição iraniana.
O estreito de Ormuz é uma das rotas marítimas mais importantes do mundo, com cerca de 33 quilômetros de largura no ponto mais estreito. Diariamente, passam por ele milhões de barris de petróleo, além de gás natural liquefeito e outras mercadorias. Qualquer instabilidade na região pode causar oscilações nos preços do petróleo e afetar a economia global.
Contexto geopolítico
A rejeição ocorre em meio a tensões crescentes entre o Irã e os Estados Unidos, que nos últimos anos retirou-se do acordo nuclear e impôs sanções severas ao país persa. A Arábia Saudita, rival regional do Irã, também apoia a proposta de Omã como forma de limitar o controle iraniano sobre a passagem. Especialistas apontam que a posição iraniana pode levar a um aumento da militarização na região, com possíveis confrontos entre as forças navais iranianas e as coalizões lideradas pelos EUA.
Apesar da rejeição, o Irã manteve a porta aberta para o diálogo com Omã, mas sob seus próprios termos. Teerã insiste que qualquer acordo deve respeitar sua soberania e seus interesses estratégicos. Enquanto isso, a comunidade internacional observa com atenção os desdobramentos, ciente de que o controle do Estreito de Ormuz é uma questão central para a segurança energética e a estabilidade no Oriente Médio.



