Irã e Omã estão em negociações para estabelecer uma administração conjunta do Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial. As conversas ocorrem em meio a um aumento significativo no tráfego naval, que atingiu o maior volume desde o início do conflito entre o Irã e a coalizão liderada por Estados Unidos e Israel.
Tráfego naval recorde desde o início da guerra
Na segunda-feira, 35 navios cruzaram o estreito, número que, embora expressivo, ainda é inferior ao volume registrado antes do conflito. O aumento do tráfego reflete um alívio temporário nas tensões, após a mediação do Catar entre EUA e Irã, que resultou em um memorando de entendimento. O acordo trouxe certo alívio ao mercado de petróleo, que vinha operando sob forte volatilidade devido ao risco de interrupção no fluxo de petróleo.
Detalhes da negociação Irã-Omã
Segundo fontes diplomáticas, Teerã e Mascate estudam os custos e serviços associados à administração conjunta do estreito. A proposta inclui a criação de um órgão binacional responsável pela segurança da navegação, cobrança de taxas e resposta a emergências ambientais. A iniciativa é vista como uma tentativa de reduzir a influência externa na região e garantir a estabilidade do tráfego marítimo.
O memorando mediado pelo Catar prevê a suspensão de algumas sanções e a retomada de diálogos técnicos, mas não aborda diretamente a gestão de Ormuz. As negociações entre Irã e Omã, portanto, correm em paralelo e buscam preencher essa lacuna.
Impactos no mercado de petróleo e geopolítica regional
O Estreito de Ormuz é um dos pontos mais vigiados do planeta. Qualquer perturbação em seu funcionamento pode elevar os preços do petróleo e desestabilizar economias dependentes da energia do Golfo. O alívio proporcionado pelo acordo com os EUA é frágil, e a indefinição sobre a gestão futura do estreito mantém o mercado em alerta.
Analistas apontam que a administração conjunta com Omã pode dar ao Irã maior legitimidade para controlar a passagem, ao mesmo tempo que oferece a Omã um papel de destaque na mediação regional. No entanto, a proposta depende de aval internacional, especialmente dos EUA e de países do Golfo.



