Os Estados Unidos lançaram novos bombardeios contra o Irã na noite desta segunda-feira (13), intensificando a crise no Oriente Médio. Mais cedo, o presidente Donald Trump anunciou que vai cobrar uma taxa de 20% sobre o valor de toda carga que passar pelo Estreito de Ormuz, como compensação pelas despesas de patrulhamento. O regime iraniano reagiu imediatamente, declarando que não permitirá interferência americana na região.
Bloqueio e pedágio no Estreito de Ormuz
Trump decidiu reimpor o bloqueio no Estreito de Ormuz a navios iranianos ou com destino a portos do Irã, rompendo um dos principais pontos do acordo de paz que durou apenas 25 dias. Em suas redes sociais, afirmou que os Estados Unidos serão conhecidos como "o guardião do Estreito de Ormuz" e que a cobrança é uma questão de justiça. Até hoje, Trump sempre se posicionou contra um pedágio em Ormuz.
O Irã rebateu prontamente. O porta-voz do Comando Militar do país disse que não vai permitir interferência na gestão do estreito e que qualquer tentativa das Forças Armadas americanas enfrentará forte resistência.
Quarta noite de bombardeios
Esta foi a quarta noite de bombardeios em uma semana. O Comando Central americano informou que, pela primeira vez, usou drones marítimos não tripulados em uma ofensiva militar, atingindo uma base naval iraniana. Outros ataques tiveram como alvo depósitos de munição e sistemas de defesa do Irã.
A Guarda Revolucionária iraniana afirmou que atingiu instalações militares dos Estados Unidos no Bahrein e no Kuwait, destruiu sistemas de radares em Omã e depósitos de combustível e munição em uma base americana na Jordânia. À tarde, os EUA anunciaram uma nova rodada de ataques. A agência estatal de notícias do Irã relatou explosões em Bandar Abbas e nas ilhas Kish e Qeshm.
Declarações de Trump
No Salão Oval, Trump disse que os ataques atingiram a capacidade ofensiva do Irã. Afirmou que o objetivo é reabrir o Estreito de Ormuz e, sobre o pedágio, declarou: "Queremos ser reembolsados pela proteção dada a outros países."
Plano fracassado de Israel com Ahmadinejad
Nesta segunda-feira, o jornal "The New York Times" revelou um plano fracassado de Israel para a guerra. Segundo a reportagem, a espionagem israelense manteve conversas por pelo menos dois anos com o ex-presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad, na tentativa de convencê-lo a tomar o poder após o início da guerra. Ahmadinejad, presidente do Irã de 2005 a 2013, era visto como linha-dura, pregou a eliminação de Israel e retomou o programa de enriquecimento de urânio. Depois de impedido de concorrer a um terceiro mandato, passou a criticar o regime iraniano.
O chefe da espionagem israelense foi pessoalmente à Hungria para um encontro arranjado, e a CIA foi notificada. Mas o plano falhou. Segundo o jornal, os primeiros ataques israelenses e americanos atingiram o prédio dos seguranças que vigiavam Ahmadinejad. O ex-presidente foi levado por agentes israelenses a um esconderijo seguro dentro do Irã, mas mostrou-se insatisfeito com o plano. Desde então, seu paradeiro é desconhecido. Ele foi visto uma vez, na semana passada, no funeral de Ali Khamenei, líder supremo morto nos ataques. Autoridades iranianas contaram ao "New York Times" que Ahmadinejad está em prisão domiciliar depois que o regime tomou conhecimento do plano.



