Colonos israelenses incendiaram duas mesquitas no norte da Cisjordânia, em mais um episódio de violência que agrava as tensões na região. O ataque ocorreu na aldeia de Qusra, ao sul de Nablus, e incluiu pichações racistas nos templos religiosos, conforme relataram autoridades palestinas.
Ataque noturno e destruição
Os colonos agiram durante a madrugada, ateando fogo nas duas mesquitas e deixando inscrições ofensivas nas paredes. Os bombeiros palestinos foram acionados para conter as chamas, mas os danos foram significativos. Uma das mesquitas teve o interior completamente destruído, enquanto a outra sofreu danos parciais. De acordo com moradores locais, os colonos chegaram armados e intimidaram os fiéis antes de iniciar o incêndio.
As autoridades palestinas condenaram veementemente o ataque e classificaram-no como parte de uma escalada de violência promovida por colonos israelenses, muitas vezes com o apoio tácito do governo de Benjamin Netanyahu. Nos últimos meses, a região tem registrado um aumento de confrontos, com ofensivas militares israelenses e ações de colonos contra propriedades palestinas.
Contexto de escalada
A Cisjordânia vive um dos períodos mais tensos dos últimos anos. Desde o início de 2024, mais de 200 palestinos foram mortos em confrontos com forças israelenses, segundo dados da ONU. Paralelamente, os ataques de colonos a vilarejos palestinos se intensificaram, com relatos de destruição de plantações, danos a veículos e agressões a moradores. Organizações de direitos humanos denunciam a impunidade dos colonos e a conivência das autoridades israelenses.
O governo de Netanyahu, por sua vez, tem anunciado a expansão de assentamentos na Cisjordânia, o que é considerado ilegal pelo direito internacional. A comunidade internacional, incluindo Estados Unidos e União Europeia, já manifestou preocupação com a situação, mas medidas concretas para conter a violência têm sido limitadas.
Reações e consequências
Após o incêndio das mesquitas, protestos eclodiram em várias cidades palestinas, com manifestantes exigindo proteção internacional. A Autoridade Palestina convocou uma reunião de emergência e pediu a intervenção do Conselho de Segurança da ONU. O presidente Mahmoud Abbas classificou o ataque como um crime de ódio e um atentado à liberdade religiosa.
Enquanto isso, colonos israelenses negaram envolvimento e atribuíram o incidente a grupos extremistas. No entanto, testemunhas no local afirmaram ter visto os agressores usando roupas típicas dos colonos e entoando slogans nacionalistas. A polícia israelense abriu uma investigação, mas críticos apontam que raramente os responsáveis por esses ataques são punidos.
O episódio das mesquitas incendiadas é mais um capítulo na escalada de violência que ameaça mergulhar a região em um novo ciclo de confrontos. A comunidade internacional observa com apreensão, enquanto a população palestina vive sob constante ameaça de novos ataques.



