Declarações do Irã e dos EUA mostram que negociações de paz ainda têm impasses pela frente. O acordo para o fim da guerra no Oriente Médio, assinado por Estados Unidos e Irã, inclui garantias de que Teerã nunca terá armas nucleares, a suspensão de sanções norte-americanas contra o país e uma compensação financeira ao governo iraniano. O texto do documento foi divulgado pela agência estatal iraniana Irna na tarde desta quarta-feira (17). A versão do acordo publicada pela agência coincide com a veiculada horas antes pela emissora CNN Internacional.
O conteúdo do acordo ainda não foi oficialmente divulgado. O texto foi assinado de forma virtual no fim de semana, segundo o governo dos EUA, e será firmado presencialmente em uma cerimônia na sexta-feira (19) em Genebra, na Suíça. O acordo de paz tem 14 pontos. Veja quais são abaixo:
- Fim da guerra: EUA e Irã declaram um fim imediato e permanente da guerra em todas as frentes, incluindo no Líbano, e se comprometem a não iniciar qualquer conflito contra o outro e a garantir a integridade territorial e soberania libanesas.
- Reabertura do Estreito de Ormuz: O Irã bloqueou o estreito durante a guerra em retaliação aos ataques dos EUA e de Israel, e agora se compromete a reabri-lo.
- Compensação financeira ao Irã: Em valor não determinado, o acordo, segundo a CNN, diz que Teerã poderá ter acesso a um fundo de US$ 300 bilhões (cerca de R$ 1,5 trilhão) caso cumpra a promessa de não desenvolver armas nucleares. Nesta quarta, no entanto, Trump negou que haja esse fundo.
- Suspensão de sanções: A derrubada de todos os tipos de sanções que hoje incidem sobre o Irã em um prazo ainda a ser determinado por ambas as partes.
- Liberação de ativos: A liberação de ativos e fundos iranianos que estavam congelados ou restringidos pelas sanções.
- Compromisso iraniano: O Irã se compromete a nunca produzir armas nucleares.
- Plano de desenvolvimento: Os EUA e seus aliados regionais criarão um plano para reabilitação e desenvolvimento econômico do Irã em até 60 dias.
- Comércio de petróleo: O Irã poderá comercializar seu petróleo e produtos petroquímicos.
- Isenções do Tesouro dos EUA: O Departamento do Tesouro emitirá isenções para exportações de petróleo bruto iraniano, produtos petroquímicos e derivados, além de serviços relacionados, como bancários, seguros e transporte.
- Acordo final em 60 dias: Incluindo a questão do programa nuclear iraniano.
- Restabelecimento do tráfego marítimo: O Irã se compromete a restabelecer o tráfego de navios entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã (ligados pelo Estreito de Ormuz) aos níveis pré-guerra em até 30 dias.
- Resolução da ONU: Uma resolução do Conselho de Segurança da ONU aprovará o acordo final, após 60 dias.
O acordo não prevê, segundo a rede norte-americana, qual o limite de enriquecimento de urânio que o Irã poderá produzir. E determina que o destino do material nuclear e o urânio enriquecido pelo Irã ainda será definido no acordo final, em até 60 dias.
Ameaças de Trump
Apesar de os EUA já terem assinado de forma virtual o acordo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta quarta-feira (17) que o texto, que ele chamou de 'memorando de entendimento', ainda não é final. Trump afirmou ainda que pode voltar a atacar Teerã caso não fique satisfeito com o desfecho das negociações posteriores sobre o programa nuclear iraniano. 'É um memorando de entendimento. E se eu não gostar, voltaremos a atirar neles, a bombardear suas cabeças. Se eu não gostar, se eles não se comportarem, voltaremos a bombardear bem no meio da cabeça deles, ok?', disse o norte-americano durante entrevista coletiva na cúpula do G7, na França. Donald Trump também disse que a existência do fundo de US$ 300 bilhões que serviria para financiar a reconstrução do Irã é 'falsa'.



