Exportações do Brasil para a China batem recorde no 1º semestre com petróleo e carne
Exportações Brasil-China recorde no 1º semestre

Exportações recordes e superávit expressivo

As exportações do Brasil para a China no primeiro semestre deste ano atingiram um recorde histórico, com crescimento de 22% em relação ao mesmo período de 2025, totalizando US$ 58,3 bilhões. O avanço foi puxado principalmente por remessas de petróleo bruto e carne bovina. Já as importações brasileiras da China subiram 8%, para US$ 38,5 bilhões, impulsionadas por veículos eletrificados.

O superávit comercial do Brasil com a China alcançou US$ 19,8 bilhões, o que representa quase metade (47%) do saldo positivo de todas as transações do Brasil com o mundo entre janeiro e junho. Os dados são do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), que atribui o movimento ao rearranjo do comércio internacional devido ao conflito no Oriente Médio e à crescente demanda por veículos eletrificados e semicondutores.

Petróleo impulsiona crescimento

Soja, minério de ferro e petróleo somam 76,5% das exportações brasileiras para a China. Os embarques de petróleo cresceram 62% em valor na comparação com maio e junho de 2025, combinando expansão de 41% em volume e alta de 15,7% no preço da commodity. A China compra mais da metade (54%) das exportações brasileiras de petróleo.

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O diretor de Conteúdo e Pesquisa do CEBC, Tulio Cariello, destacou: “O que chamou a atenção foi o petróleo. O Brasil acabou se tornando um parceiro estratégico para a China. A parada no tráfego pelo Estreito de Ormuz tem consequências no comércio com a China, que tem 50% de suas importações de petróleo passando pela região.”

Em março, abril e junho, as exportações de petróleo bruto do Brasil para a China atingiram os valores mais altos da série histórica iniciada em 1997, com pico de US$ 3,35 bilhões em março. No semestre, somaram US$ 15,1 bilhão, mais que o dobro das exportações totais do Brasil para a Argentina no período (US$ 7,3 bilhões). O Rio de Janeiro lidera as exportações para a China, com 23,3% do total.

Carne bovina e de frango em alta

As exportações de carne bovina para a China dispararam 50% no primeiro semestre, totalizando US$ 4,8 bilhões. Em junho, foram 158 mil toneladas e US$ 1,07 bilhão, maior volume e faturamento de 2026. No entanto, Cariello alerta que a cota de 1,1 milhão de toneladas com imposto de 12% já foi alcançada, e a sobretaxa de 55% pode reduzir a competitividade e levar a um recuo nas exportações no segundo semestre.

As remessas de carne de frango para a China também cresceram 43% entre janeiro e junho, para US$ 772 milhões, após a suspensão de seis meses em 2025 devido a um caso de gripe aviária no Rio Grande do Sul.

Importação de veículos eletrificados quadruplica

Os veículos eletrificados representam 15% das importações brasileiras da China, ou US$ 2,79 bilhões. As compras de carros híbridos plug-in dobraram, enquanto as de elétricos foram multiplicadas por quatro. Os veículos híbridos saltaram do 25º para o 6º lugar no ranking de importações. Ao todo, 88% dos veículos eletrificados importados pelo Brasil vêm da China, com desembarques no Espírito Santo.

O aumento se deve à antecipação de embarques antes da elevação da tarifa de importação de 25% para 35% a partir de julho. Cariello explica: “É um volume sem comparação. E como existe o aumento do imposto de importação, os carros eletrificados tiveram movimento similar ao da carne bovina, com importadores antecipando compras.” Ele prevê acomodação nos próximos meses com a chegada de novas marcas chinesas e fábricas da BYD e GWM no Brasil.

As importações de chips de memória recuaram 2,6% em volume, mas o faturamento subiu 218%, para US$ 432 milhões, devido à demanda global aquecida por semicondutores.

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