El Niño: entenda impactos no Brasil e riscos de eventos extremos
El Niño: impactos no Brasil e riscos de eventos extremos

El Niño: entenda como o fenômeno afeta o Brasil e quais os riscos

O fenômeno El Niño, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico, já está ativo e deve se intensificar até o fim do ano. Especialistas alertam para a possibilidade de um super El Niño, com potencial para desencadear eventos climáticos extremos, como tempestades severas e estiagens prolongadas. No Brasil, os impactos podem ser sentidos de forma desigual nas diferentes regiões, com consequências para a agricultura, o abastecimento de água e a energia elétrica.

Impactos regionais previstos

De acordo com o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), as consequências mais significativas na América do Sul devem ocorrer a partir do final de setembro. Veja os principais efeitos esperados para cada região do país.

  • Sul: Chuvas torrenciais, com bloqueio atmosférico que retém frentes frias, elevando o risco de tempestades e ciclones. Inundações e deslizamentos são prováveis, especialmente no Rio Grande do Sul e Santa Catarina. O excesso de umidade no solo pode prejudicar o plantio da safra de verão e favorecer doenças fúngicas.
  • Norte: Seca severa na Amazônia, com redução das chuvas e prolongamento da estação seca. Rios baixos podem isolar comunidades ribeirinhas que dependem do transporte fluvial. O calor extremo e a baixa umidade aumentam o risco de queimadas e afetam a geração de energia.
  • Nordeste: Estiagem prolongada, especialmente no semiárido e na faixa norte, impactando a agricultura familiar. Ondas de calor com temperaturas acima da média histórica reduzem reservatórios e ameaçam a pecuária.
  • Centro-Oeste: Calor extremo e índices críticos de baixa umidade na primavera e no verão. Risco acentuado de grandes queimadas no Pantanal e no Cerrado. O atraso no início da estação chuvosa pode comprometer o plantio de soja e milho.
  • Sudeste: Ondas de calor intensas em capitais como São Paulo e Rio de Janeiro, elevando a demanda e o preço da energia elétrica. Chuvas irregulares: enquanto o sul do Rio de Janeiro e de Minas Gerais podem receber mais precipitação, o norte mineiro e o Espírito Santo devem enfrentar forte estiagem. O risco de seca em São Paulo persiste, podendo afetar o nível dos reservatórios do sistema Cantareira.

Ações do governo e alertas

Cerca de nove milhões de brasileiros vivem em áreas de risco. O governo federal criou um gabinete de emergência e destinou R$ 3 bilhões para ações de mitigação, com foco no combate a incêndios florestais, que foram particularmente graves no El Niño de 2024, especialmente na Amazônia. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, mais de 4,4 mil brigadistas federais atuarão em 2026, distribuídos em 240 brigadas, além de 220 servidores do Ibama e do ICMBio. Recursos do Fundo Amazônia também foram usados para compra de equipamentos e capacitação dos corpos de bombeiros na Amazônia Legal, Cerrado e Pantanal.

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Paulo Artaxo, coordenador do Centro de Estudos Amazônia Sustentável da USP, afirma que não faltaram alertas sobre os riscos. "Reforçar defesas civis, elaborar planos de contingência, deslocar populações de áreas de risco de deslizamento e obras de prevenção de enchentes: as necessidades prementes foram explicitadas." Ele acrescenta que secas na Amazônia e no Brasil central, além de chuvas intensas no Sul, são esperadas caso o El Niño seja forte, com impacto econômico significativo, incluindo quebra de safras e aumento nos preços de alimentos.

Márcio Astrini, secretário executivo do Observatório do Clima, ressalta que o El Niño pode ser forte e provocar chuvas intensas, mas não necessariamente causar alagamentos como o do Rio Grande do Sul em 2024, que exigiu uma conjunção de fatores. "O mais perigoso são a seca no semiárido e as queimadas na Amazônia", afirma.

Ana Clis Ferreira, especialista do Greenpeace-Brasil, pondera que ainda é cedo para afirmar se o fenômeno será muito intenso, mas alerta que, mesmo que seja, isso não significa impacto automaticamente maior. "O problema é que, muitas vezes, não estamos preparados, sobretudo nos meios urbanos, e podemos ter impactos semelhantes aos de 2024", conclui.

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