Um grupo de 17 imigrantes venezuelanos foi localizado às margens da BR-364 no município de Acrelândia, interior do Acre, nessa terça-feira (23). Equipes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) do Acre e de Rondônia atuaram no resgate dos refugiados. Não há informações de onde o grupo vinha, mas a PRF-AC informou que os imigrantes seguiam para São Paulo.
Nessa quarta (24), dois terremotos que atingiram a Venezuela provocaram desabamentos, deixaram mortos e feridos e foram sentidos em cidades do Norte do Brasil. A coincidência dos eventos gerou comoção entre os venezuelanos, que comemoraram o resgate.
Atendimento e acolhimento
Durante o atendimento aos refugiados, a polícia identificou que dois precisavam de cuidados de saúde e ambos receberam assistência necessária. Além disso, um recém-nascido de dois meses também estava com o grupo. O acolhimento e assistência foram feitos por equipes da PRF do Acre e de Rondônia, em parceria com o Escritório de Direitos Humanos (ERDH), organismos internacionais e outras instituições.
Os imigrantes foram encaminhados a Porto Velho, capital de Rondônia, onde receberam acolhimento institucional, assistência social e atendimento médico. Eles também receberam doação de alimentos das equipes da PRF.
Porta de entrada para imigrantes
Desde 2010, o Acre passou a receber milhares de haitianos que fugiam dos impactos do terremoto que devastou o país. Conforme o Relatório de Monitoramento da Agência Brasileira de Inteligência, o estado acreano funciona como porta de entrada para pessoas que buscam trabalho. Em 2025, por exemplo, registrou 828 pedidos de refúgio. O acesso desses imigrantes é feito principalmente por Brasiléia e Assis Brasil, cidades do interior do Acre na região de fronteira.
A região Norte é historicamente um importante corredor e polo de migração, mas a dinâmica mudou. No passado, a região atraía muitos nordestinos e sulistas. Hoje, o maior fluxo é de imigrantes internacionais, especialmente os venezuelanos.
Plano de acolhimento e desafios
Com mais de 100 refugiados instalados nos abrigos no Acre, o Ministério Público Estadual (MP-AC) recomendou que o governo e a Prefeitura de Rio Branco instituam uma política pública permanente voltada ao atendimento de migrantes, refugiados, apátridas e solicitantes de refúgio. Os gestores têm 45 dias para apresentar um plano. A recomendação foi enviada após o órgão identificar falhas como superlotação e alta rotatividade na Casa de Acolhimento para Migrantes em Rio Branco.
A Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos (Sasdh) informou que ainda não recebeu a recomendação e que vai seguir a política com o abrigo 24 horas. Já a Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos (Seasdh) afirmou que não foi comunicada oficialmente.
Conforme dados do governo, atualmente nos abrigos há mais de 100 refugiados nas seguintes cidades: Rio Branco (58), Epitaciolândia (50) e Assis Brasil (42).
Segundo o documento, a necessidade da medida se deve à identificação de desafios persistentes enfrentados pela Casa de Acolhimento, como superlotação, regularização documental e integração dos serviços públicos. O texto destaca que o estado acreano se consolidou historicamente como uma das principais portas de entrada de migrantes no país, assumindo uma posição estratégica na rota amazônica de migração internacional. A recomendação estabelece o prazo máximo de 45 dias para que tanto o Estado quanto o município de Rio Branco promovam a institucionalização da política pública por meio da elaboração de um Plano Integrado de Migração e Acolhimento.



