Centenas de migrantes cruzam a nado fronteira para Ceuta
Migrantes cruzam a nado fronteira para Ceuta

Centenas de migrantes atravessaram a nado a fronteira entre Marrocos e a cidade espanhola de Ceuta na manhã desta quinta-feira, 30 de julho, em uma das maiores ondas de entrada irregular do ano. De acordo com a Delegacia do Governo Espanhol em Ceuta, cerca de 500 pessoas conseguiram chegar às praias da cidade, enquanto outras 200 foram interceptadas pelas forças de segurança marroquinas.

Detalhes da invasão

O movimento começou por volta das 6h, horário local, quando grupos de migrantes se aproximaram da costa marroquina e iniciaram a travessia a nado, muitos utilizando boias improvisadas e coletes salva-vidas. A Guarda Civil espanhola e a Polícia Nacional foram mobilizadas para conter a chegada, mas a quantidade de pessoas sobrecarregou os agentes.

“Foi uma situação caótica. Eles vinham em ondas, dezenas ao mesmo tempo. Não conseguimos impedir que muitos entrassem”, afirmou à Agência Efe um porta-voz da Guarda Civil, que pediu anonimato. As autoridades registraram ao menos 12 feridos leves entre os migrantes, além de três agentes com escoriações.

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Contexto migratório

Ceuta e Melilla, os dois enclaves espanhóis no norte da África, são rotas frequentes para migrantes que tentam entrar na Europa. Em 2025, mais de 15 mil pessoas tentaram cruzar as fronteiras terrestres e marítimas dessas cidades, segundo dados da Agência Europeia da Fronteira (Frontex). O número de entradas bem-sucedidas por via marítima aumentou 40% em relação ao ano anterior.

“A pressão migratória não diminuiu, apesar dos acordos entre Espanha e Marrocos. A situação humanitária é grave”, disse Helena Maleno, ativista da ONG Caminando Fronteras, em entrevista ao jornal El País. Ela destacou que muitos dos que tentam a travessia fogem de conflitos e pobreza na África subsaariana.

Ações das autoridades

Após a invasão, o governo espanhol ativou o protocolo de acolhimento temporário, encaminhando os migrantes para centros de triagem. A Cruz Vermelha prestou assistência médica e distribuiu alimentos e água. O Ministério do Interior da Espanha anunciou que repatriará aqueles que não se qualificarem para asilo. Em comunicado, o governo marroquino condenou a tentativa de entrada ilegal e prometeu reforçar a vigilância costeira.

A prefeita de Ceuta, María del Carmen Sánchez, pediu reforços ao governo central. “Não temos infraestrutura para lidar com esse volume. Precisamos de mais agentes e de uma solução europeia”, declarou em coletiva.

Impacto e repercussão

O incidente reacendeu o debate sobre a política migratória da União Europeia. Organizações de direitos humanos criticam a tendência de externalização das fronteiras e a dependência de acordos com países como Marrocos. Em resposta, a Comissão Europeia reiterou a necessidade de uma abordagem equilibrada entre segurança e direitos fundamentais.

Enquanto isso, em Ceuta, comerciantes relataram apreensão. “Isso acontece cada vez mais. A cidade está sobrecarregada”, disse Ahmed, vendedor ambulante que não quis dar o sobrenome. A expectativa é que novas tentativas ocorram nos próximos dias, com o aumento da temperatura do mar e a melhora das condições climáticas.

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