O número de solicitações de refúgio feitas por pessoas que informaram Campinas (SP) como município de residência chegou a 387 entre janeiro e abril de 2026, segundo dados do estudo Refúgio em Números 2026, elaborado pelo Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra) em parceria com o Ministério da Justiça. O volume corresponde a 86% de todos os pedidos registrados em 2025, quando a metrópole contabilizou 452 solicitações ao longo de todo o ano.
O que é refúgio e quais são os direitos?
Refúgio é uma proteção internacional para quem precisa deixar seu país de origem devido a conflitos, perseguições ou violações de direitos humanos. O país de destino não pode devolver a pessoa ao local de risco. Além disso, deve garantir acesso a documentos, trabalho, saúde e educação.
Cenário nacional e local
O cenário local acompanha uma tendência nacional. Após as restrições da pandemia de Covid-19, os pedidos de refúgio voltaram a crescer no Brasil. Em 2025, o país registrou 75.599 solicitações, uma alta de 10,9% em relação a 2024. Em Campinas, o aumento também é expressivo: os pedidos passaram de 330 em 2024 para 452 em 2025, o que configura um crescimento de 37%.
Mudança de perfil dos solicitantes
O levantamento mostra uma alteração nas nacionalidades dos solicitantes que declararam Campinas como município de residência. Entre 2022 e 2025, os cubanos lideravam a lista. No ano passado, eles representaram 52% do total de pedidos registrados na cidade, com 235 solicitações. No primeiro quadrimestre de 2026, no entanto, o Haiti assumiu o primeiro lugar. Veja o ranking dos principais países de origem neste ano:
- Haiti: 143 pedidos (36,9%)
- Cuba: 90 pedidos (23,3%)
- Gana: 75 pedidos (19,4%)
- Togo: 15 pedidos (3,9%)
- Benin: 11 pedidos (2,8%)
Entre janeiro e abril de 2026, o Brasil teve 794 solicitações de refúgio feitas por haitianos. Desse total, 143 foram registradas em Campinas, o equivalente a cerca de 18% dos pedidos de haitianos no Brasil no período. Outro destaque é o crescimento do número de solicitantes de refúgio de Gana: foram apenas duas em 2024, 52 em 2025 e 75 logo nos quatro primeiros meses de 2026.
Crise no Haiti
O Haiti, país mais pobre das Américas, enfrenta uma crise política e social que se agravou a partir de 2021, quando o então presidente Jovenel Moïse foi assassinado. Em 2023, com o fim dos mandatos de todos os integrantes do Parlamento, o país ficou sem uma estrutura política eleita, aprofundando a instabilidade. Desde então, o Haiti enfrenta um cenário de crise de governo, violência e perda de controle territorial. Gangues armadas passaram a dominar áreas de Porto Príncipe, a capital, e ampliaram sua influência sobre atividades econômicas e serviços locais. O país também enfrenta dificuldades econômicas que se intensificaram nos últimos anos.
Após o assassinato de Moïse, o então primeiro-ministro Ariel Henry assumiu o comando do Executivo, mas deixou o cargo em 2024, após pressão em meio ao avanço da violência. Em abril de 2024, lideranças políticas haitianas formaram um Conselho de Transição para tentar reorganizar o governo e conduzir o país até novas eleições. A instabilidade, porém, continua, com mudanças na liderança do governo. O atual primeiro-ministro é Alix Didier Fils-Aimé.



