O Rei Charles III não residirá no Palácio de Buckingham após a conclusão de um programa de reforma de 10 anos, orçado em 369 milhões de libras (R$ 2,53 bilhões). A decisão, anunciada nesta quinta-feira (25), visa ampliar o acesso do público ao edifício histórico, que tem sido o centro da vida real há quase 200 anos. Autoridades da realeza reforçam que o rei e a Rainha Camilla continuarão a trabalhar a partir do palácio, que permanecerá como o "centro cerimonial e operacional" da monarquia. No entanto, pelo restante do reinado de Charles, o casal real permanecerá na Clarence House, situada nas proximidades.
Palácio de Buckingham: joia da coroa
"[Buckingham] É e continuará sendo a sede da monarquia, a joia da coroa de nossas edificações nacionais", afirmou James Chalmers, o alto funcionário da realeza responsável pela gestão das finanças do rei. Construído na década de 1820, o Palácio de Buckingham tem sido a residência londrina de todos os monarcas britânicos desde a Rainha Vitória. Com 775 cômodos, o palácio também abriga escritórios da burocracia real e sedia suntuosos jantares de Estado para presidentes e chefes de Estado visitantes. É também um ponto de referência para o público; multidões se reúnem sob sua famosa varanda para celebrar eventos históricos, como os 70 anos de reinado da Rainha Elizabeth II.
Reforma necessária e nova residência
Em 2017, a Casa Real iniciou um programa de 10 anos para modernizar sistemas obsoletos de encanamento, fiação e aquecimento, além de reformar o edifício para que pudesse continuar abrigando a monarquia por mais 50 anos. A previsão é que o projeto seja concluído no próximo ano. No entanto, o rei e a rainha decidiram morar na Clarence House, uma residência imponente próxima ao palácio, onde Charles vive desde a época em que era Príncipe de Gales. Essa decisão permitirá ampliar o acesso do público ao palácio, possibilitando a realização de mais eventos e o aumento do número de visitantes e de visitas guiadas ao edifício, afirmou Chalmers. O palácio já recebe cerca de 700 mil visitantes por ano.
Observadores aguardam planos futuros
Ed Owens, autor do livro After Elizabeth: Can the Monarchy Save Itself, disse que seria uma pena se, por exemplo, o edifício ficasse vazio durante grande parte do ano. "Espero que haja um 'segundo ato' em relação a essa decisão", disse ele à Associated Press. "Estou aguardando para ver se haverá uma proposta mais radical sobre o que o Palácio de Buckingham poderá ser no futuro."
Transparência fiscal inédita
Durante a apresentação sobre as finanças da realeza, Charles tornou-se o primeiro monarca britânico a revelar os impostos pagos ao governo. O rei pagou 12,9 milhões de libras (US$ 16,1 milhões) em impostos sobre renda e ganhos de capital no ano fiscal de 2024-2025, um aumento em relação aos 11,7 milhões de libras pagos no ano anterior. Embora a monarquia receba recursos de diversas fontes, o rei paga impostos apenas sobre sua renda pessoal — grande parte proveniente de suas propriedades particulares, Balmoral, na Escócia, e Sandringham, na costa leste da Inglaterra. Charles também pagou impostos sobre ganhos de capital relacionados à venda de ativos.
Príncipe William também divulga impostos
O Príncipe William, atual Príncipe de Gales, também divulgou detalhes de seus impostos na quinta-feira. William pagou 7,76 milhões de libras em impostos sobre renda e ganhos de capital no ano fiscal de 2024-2025, um valor inferior aos 8,34 milhões de libras pagos no ano anterior, informou seu gabinete. Pela primeira vez, os números dão ao público uma ideia concreta da fortuna pessoal do Rei, em contraposição aos castelos, joias e obras de arte que acompanham o cargo, mas que não são propriedade pessoal do monarca.
Contexto de críticas e busca por transparência
Os anúncios ocorrem em um momento em que a família real tenta mudar a narrativa, após meses de manchetes constrangedoras sobre as ligações entre o criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein e o antigo Príncipe Andrew — agora conhecido como Andrew Mountbatten-Windsor. A atenção do público voltada para Mountbatten-Windsor tem ofuscado os esforços do rei para modernizar a monarquia. Charles não era obrigado a divulgar seus impostos, mas decidiu abrir mão desse direito à privacidade. Isso reforça a ideia de que a monarquia é uma instituição pública e que seu funcionamento deve ser transparente, afirmou Craig Prescott, especialista em direito constitucional e na monarquia da Royal Holloway, Universidade de Londres. "Se eles forem abertos e o mais transparentes possível, o contraste com Andrew Mountbatten-Windsor se torna ainda maior", disse.



