O chanceler de Israel, Gideon Saar, anunciou o rompimento de relações com a chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, após acusá-la de comparar o Estado judeu ao regime de apartheid sul-africano. A crise diplomática ocorre em um momento de tensão crescente entre Israel e a UE, em meio ao conflito na Faixa de Gaza e às ações de colonos na Cisjordânia.
Acusação e reação
Saar atribuiu a Kallas a frase que equipara Israel ao regime racista que vigorou na África do Sul até 1994. Em resposta, o chanceler israelense exigiu uma retratação pública imediata. Por outro lado, Kallas afirmou que a manutenção do diálogo é essencial e que não pretende se retratar, defendendo a necessidade de discussões abertas sobre as políticas israelenses nos territórios palestinos.
Contexto das relações UE-Israel
A relação entre a União Europeia e Israel vem se deteriorando nos últimos meses. A UE tem criticado a expansão dos assentamentos israelenses na Cisjordânia e a condução das operações militares em Gaza. A comparação com o apartheid, mesmo que indireta, é vista por Israel como uma tentativa de deslegitimar o país, enquanto para a UE representa uma crítica às políticas que violam o direito internacional.
Kaja Kallas, em declarações recentes, reforçou que a UE continuará a defender os direitos humanos e o direito internacional, sem se intimidar com ameaças de rompimento. Ela destacou que o diálogo com Israel permanece importante, mas que não pode haver tabus na discussão sobre as ações israelenses.
O episódio marca um novo capítulo nas tensões entre Israel e a União Europeia, com potenciais impactos em acordos comerciais e cooperação política. Analistas apontam que a crise pode se aprofundar caso Israel mantenha a posição de não retomar contatos com Kallas, enquanto a UE busca equilibrar críticas com a manutenção de canais diplomáticos.



