O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, retomou acusações de que a China interferiu nas eleições americanas, colocando em risco a frágil trégua com o líder chinês Xi Jinping a apenas dois meses de uma cúpula prevista em Washington. Em um discurso no horário nobre na quinta-feira, Trump focou suas reclamações na China, alegando que o país obteve indevidamente dados de milhões de eleitores norte-americanos, algo que Pequim nega veementemente.
Acusações e reações
"Essa perda de dados representa um pesadelo sem precedentes para a segurança eleitoral", disse Trump. O Ministério das Relações Exteriores da China classificou as acusações como "pura invenção" e "campanha difamatória maliciosa". O porta-voz Lin Jian afirmou em coletiva de imprensa: "Pequim não tem interesse em interferir nas eleições dos EUA e nunca o fez. Exortamos os EUA a fazerem uma reflexão profunda sobre si mesmos e a pararem de fazer acusações infundadas contra a China." Liu Chang, porta-voz da embaixada chinesa em Washington, também declarou: "A China nunca interferiu e nunca interferirá nas eleições presidenciais dos EUA."
Impacto na trégua comercial
O discurso de Trump marca um afastamento de suas recentes declarações mais respeitosas em relação a Pequim, que Washington considera seu maior rival internacional. A trégua comercial cuidadosamente orquestrada entre as duas maiores economias do mundo pode ser comprometida. Em 2025, Trump impôs tarifas de três dígitos à China, mas recuou em outubro passado devido ao bloqueio retaliatório de Pequim às exportações de metais de terras raras, que ameaçava a indústria manufatureira dos EUA.
Em maio, Xi recebeu Trump para uma visita de Estado luxuosa, durante a qual Trump amenizou disputas sobre Taiwan e chamou Xi de "amigo". Trump convidou Xi para visitar Washington em 24 de setembro e considera participar da cúpula da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec) em novembro, em Shenzhen, na China. No entanto, a China ainda não confirmou a visita de Xi a Washington. Fontes indicam que Pequim comunicou em particular ao governo Trump que futuros encontros entre os líderes dependerão da manutenção de relações positivas.
Contexto político interno
O discurso de Trump é visto como calculado para atender a objetivos políticos internos, já que os republicanos enfrentam eleições difíceis para o Congresso em novembro. Notavelmente, as declarações de 25 minutos não incluíram apelos para punir Pequim, o que pode amenizar a reação chinesa. Trump tem histórico de alegações sobre interferência eleitoral chinesa, usando-as para sustentar a alegação já desmentida de que a eleição de 2020, na qual perdeu para Joe Biden, foi fraudada. Uma avaliação da comunidade de inteligência dos EUA de 2021 não encontrou indícios de que qualquer agente estrangeiro, incluindo a China, tivesse tentado ou conseguido alterar aspectos técnicos da votação de 2020.



