EUA e Irã assinam acordo de trégua após 110 dias de guerra
EUA e Irã assinam acordo de trégua após 110 dias de guerra

Estados Unidos e Irã assinaram oficialmente o acordo de trégua em uma cerimônia histórica no Palácio de Versalhes, na França, o mesmo local onde foi assinado o tratado que encerrou a Primeira Guerra Mundial. O banquete oferecido pelos franceses celebrava os 250 anos da independência americana, mas o momento mais marcante da noite ocorreu antes do jantar, pegando os anfitriões de surpresa. Os pratos foram retirados às pressas quando o secretário de Estado americano, Marco Rubio, chegou com a versão impressa do acordo. Ao assinar o documento, o presidente Donald Trump afirmou: “Não foi fácil”.

Detalhes do acordo

O acordo de trégua entrou em vigor nesta quinta-feira (18), 110 dias após o início da guerra. O memorando possui 14 pontos, e os americanos começaram a cumprir um deles imediatamente: o fim do bloqueio naval contra portos e embarcações do Irã. Em até 30 dias, as sanções impostas ao país também devem ser suspensas. Em contrapartida, os iranianos voltaram a permitir a livre passagem de embarcações pelo Estreito de Ormuz. Sites de monitoramento indicaram que três superpetroleiros da Arábia Saudita conseguiram atravessar o estreito. O vice-presidente americano, J.D. Vance, declarou que, entre quarta-feira (17) e quinta-feira (18), 12,5 milhões de barris passaram pelo local.

Cláusulas controversas

Vance também abordou outro ponto do acordo: o fim dos confrontos entre Israel e o grupo extremista Hezbollah no Líbano. Ele expressou esperança de que o Hezbollah pare de disparar foguetes e que Israel não aja de forma irresponsável. No entanto, nesta quinta-feira (18) cedo, mesmo com a trégua, os dois lados trocaram ataques. Como parte do acordo, o Irã concordou em não desenvolver armas nucleares e em diluir seu estoque de material radioativo existente. Contudo, ainda não há consenso sobre o futuro do programa nuclear iraniano e sobre como será feita a fiscalização. O memorando prevê 60 dias de negociações para resolver esses impasses.

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A cláusula mais controversa do acordo estabelece um plano de US$ 300 bilhões para a reconstrução do Irã e a devolução de mais de US$ 20 bilhões em fundos iranianos congelados no exterior. Nos Estados Unidos, tanto a oposição quanto a base de Donald Trump criticam o envio de dinheiro ao regime dos aiatolás. Trump declarou que os Estados Unidos não pagarão pelo plano de reconstrução, mas não esclareceu de onde virá o dinheiro.

Reações

Nesta quinta-feira (18), em um comunicado, o líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, afirmou que Trump fechou o acordo "por desespero". Khamenei disse que autorizou a assinatura do documento apesar de ter uma visão diferente. Michael O'Hanlon, especialista em defesa e segurança nacional, avalia que, por enquanto, o acordo parece favorecer o Irã, mas que o verdadeiro teste será o futuro do programa nuclear iraniano: “Não acredito que haverá uma mudança de regime no Irã, e achar que isso poderia acontecer foi um dos grandes erros cometidos pelo presidente Trump e pelo primeiro-ministro Netanyahu”.

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