A onda de calor que atinge a Europa já provocou ao menos 50 mortes, segundo a agência de notícias Reuters. Na França, 48 pessoas morreram afogadas ao tentar se refrescar, e duas crianças pequenas foram vítimas de insolação. Na Espanha, dois idosos também faleceram em decorrência do calor extremo.
França registra dia mais quente em quase 80 anos
Na terça-feira (23), a França enfrentou o dia mais quente de sua história em quase oito décadas, com temperaturas que podem chegar a 43°C no oeste do país. Cerca de 90% dos franceses vivem em áreas sob alerta vermelho ou laranja por calor extremo. A madrugada de terça foi a mais quente já registrada, com temperaturas acima de 25°C.
Desde 18 de junho, 40 pessoas morreram por afogamento, principalmente jovens. Três idosos entre 80 e 95 anos faleceram em Bordeaux no fim de semana devido a problemas de saúde agravados pelo calor. Em Carpentras, no sudeste, duas crianças de 2 e 4 anos foram encontradas inconscientes dentro do carro da família e não resistiram.
Em Paris, a Torre Eiffel e o Museu do Louvre fecharam mais cedo, às 16h (11h em Brasília). A Prefeitura ofereceu ingressos de cinema gratuitos para menores de 25 anos e maiores de 65 anos como forma de proporcionar uma pausa em ambientes climatizados. Alguns trens foram cancelados, inclusive a rota Paris-Bruxelas.
Itália em alerta máximo
Na Itália, o Ministério da Saúde emitiu alerta máximo para 15 cidades, incluindo Roma. As condições climáticas devem piorar, com pico previsto entre domingo e segunda-feira. As temperaturas podem alcançar 41°C entre a Toscana e a Emília-Romanha, com sensação térmica de até 45°C.
A empresa de serviços públicos Iren dobrou os turnos dos trabalhadores e adicionou geradores para lidar com cortes de energia esporádicos em Turim, devido à sobrecarga na rede elétrica.
Reino Unido: escolas fecham e recorde de temperatura pode ser batido
No Reino Unido, mais de mil escolas permaneceram fechadas ou encerraram as aulas mais cedo nesta quarta-feira (24), conforme a BBC. O serviço meteorológico emitiu alerta de calor de nível máximo para partes do centro e sul da Inglaterra para os próximos dois dias. Segundo o Met Office, a onda de calor de quatro dias pode elevar as temperaturas acima de 39°C em algumas regiões, superando o recorde de junho de 35,6°C, estabelecido em 1957 e 1976.
Dezenas de escolas anunciaram fechamento antecipado, pois os prédios antigos não são adequados para bloquear as altas temperaturas.
Espanha em alerta vermelho
A agência meteorológica da Espanha emitiu alertas vermelhos em diversas regiões, com temperaturas previstas para atingir 44°C. Quase todo o país está em alerta, especialmente Andaluzia, País Basco e Cantábria. A Prefeitura de Madri anunciou que oferecerá "abrigo climático" para pessoas em situação de rua e vulneráveis, com água, alimentos e instalações de higiene durante as horas mais quentes.
Dezenas de municípios no norte da Espanha cancelaram as tradicionais fogueiras devido ao risco de incêndios florestais. O sindicato espanhol de enfermagem SATSE denunciou que, em alguns estabelecimentos de várias regiões do norte e da Andaluzia, as temperaturas "atingem e superam os 30ºC", enquanto o máximo fixado por lei para o trabalho é de 27ºC.
Impactos no comércio e agricultura
Em todo o continente, varejistas lutam para atender a demanda por ventiladores e condicionadores de ar portáteis. A maior rede de supermercados da Grã-Bretanha, a Tesco, espera um aumento de mais de 72% nas vendas de protetor solar e 48% nas vendas de sorvetes e picolés. Empreiteiras de construção alteraram horários de trabalho para proteger os funcionários. Uma cooperativa agrícola francesa anunciou que agricultores estão implementando turnos noturnos para a colheita, a fim de proteger os trabalhadores do calor e os campos do risco de incêndio. Em granjas nas regiões da Bretanha e do Pays de la Loire, as temperaturas escaldantes mataram milhares de aves.



